Todos os dias 90 baianos dão entrada no SUS com doenças causadas por falta de saneamento

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Doenças ligadas à falta de saneamento representam uma das principais sobrecarga do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. Chega a ser difícil imaginar que, em pleno 2019, pessoas ainda sejam hospitalizadas porque não possuem água potável disponível para consumo ou infraestrutura para moradia. Mas, essa é a realidade de grande parte do país.

Na Bahia, entre 2008 e agosto de 2019, de acordo com dados do DataSus coletados pelo BNews, 90 pessoas deram entrada por dia em hospitais da rede pública em decorrência de doenças como dengue, esquistossomose, diarréia, amebíase e hepatite A, causadas principalmente por deficiência no saneamento básico.

No estado, os principais atendimentos foram feitos em pacientes com diarréia e dengue, que representam, respectivamente, 75% e 23,5% do total das ocorrências no período. O ano de 2009 foi o que mais teve internamentos no SUS, seguido por 2008 e 2010.

No ranking nacional, atrás da Bahia estão, em números absolutos, Pará, São Paulo, Maranhão e Minas Gerais. A diferença entre os registros na Bahia e em Minas, no período, é de 46,2%. No total do país, os registros da Bahia representam 14%.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 94% dos casos de diarreia no mundo ocorrem devido à falta de acesso à água de qualidade e ao saneamento precário. Atualmente, a diarreia é a segunda causa de morte em crianças menores de cinco anos no mundo.

Na Bahia, o perfil principal dos pacientes é o mesmo: crianças com idades entre 1 e 4 anos. No período, foram mais de 82 mil internamentos com este perfil, o que significa uma média diária de 20 por dia. No Brasil, a situação é a mesma, com quase 600 mil internamentos entre 2008 e agosto de 2019 – média diária de 141 casos.

Custo para o SUS
As idas a hospitais públicos em decorrência de doenças causadas por falta de saneamento, além de um mal para a população, também representa um custo altíssimo para os cofres públicos. Todos os dias, são gastos quase R$ 225 milhões com tratamento de pacientes que dão entrada no SUS com diarréia, dengue, esquistossomose, amebíase e hepatite A.

A Bahia também é o estado brasileiro que mais gasta com o problema, com uma média diária de R$ 30 milhões. Logo atrás estão Pará, São Paulo, Minas e Maranhão. Os cinco estados representam juntos 49% dos custos de todo o país.

Os gastos por idade também são maiores com as crianças entre 1 e 4 anos, seguindo o perfil da maioria de internamentos no período. O resultado se repete em todos os estados, com exceção do Acre, que registrou maior número de ocorrências no período em pessoas com idades entre 20 e 29 anos.

No entanto, os valores gastos com tratamento de doenças causadas por falta de saneamento tiveram queda de 100% entre 2008 e agosto de 2019, o que, de acordo com o Ministério da Saúde não representa uma melhoria no saneamento, mas, sim, o aumento da oferta de equipes de atenção básica no SUS, o que ajuda a evitar agravamento dos casos.

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