Qual o seu custo de vida? Veja como fazer o cálculo para não gastar mais do que ganha

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Dinheiro no bolso que é bom está pouco. E o pouco que  tem não fecha a conta. Malabarismo no orçamento? Todo mundo faz. Mas dentre esses todos, quantos pararam em algum momento para fazer o cálculo honesto do valor do seu real custo de vida? O consumidor pode até pensar que é fácil somar despesas e subtraí-las do valor das suas fontes de renda. O difícil, na verdade, é ser realmente sincero na hora de fazer esta análise.

Por isso, especialistas em Educação Financeira montaram o passo-a-passo de como fazer o  cálculo do custo de vida, sem deixar passar nem mesmo aquele presente do aniversariante do mês na família, ou aquele vestido lindo que estava na vitrine em promoção (Veja abaixo).

“Vale fazer essa análise por um período mais longo, de pelo menos seis meses, para identificar qual é o padrão”, explica a especialista em finanças pessoais da gestora de investimentos Magnetis, Malena Oliveira.

E é no padrão que está o problema, como acrescenta Malena: “Imagine que você tenha gasto bastante dinheiro com presentes para familiares nos últimos dois meses. No entanto, você não considera isso na sua análise, pois, afinal de contas, as pessoas só fazem aniversário uma vez por ano. Se o gasto com presentes for um comportamento recorrente, você está deixando de considerar possivelmente um gasto que pesa bastante no seu orçamento”, afirma.

Para adequar o salário ao padrão de vida é preciso ter um orçamento eficiente e isso inclui também não só rever o que  gasta, mas como  gasta. “Na sua última ida ao supermercado, por exemplo, quais dos itens comprados eram realmente necessários? Será que comprar uma marca mais barata está realmente ajudando a economizar ou ela só faz gastar mais produto? Mais do que uma análise simples, vale refletir também sobre a qualidade dos seus gastos”.

PASSO 1: DIAGNÓSTICO

Centavo por centavo É importante entender que esse custo deve ser um agente regulador da vida financeira. Para o educador financeiro do canal Dinheiro à Vista, Reinaldo Domingos, o alerta é quando o orçamento entra no vermelho: “Se a pessoa perceber que está faltando dinheiro todos os meses, é hora de fazer uma faxina financeira que equilibre todos os ganhos e gastos”.

PASSO 2: DETALHES

Até o cafezinho Existem muitos gastos imperceptíveis, que muitas vezes não entram na conta, mas a soma do momante assusta. Por isso, tudo tem que ir para a ponta do lapis, como afirma a especialista em finanças pessoais da Magnetis, Malena Oliveira. “É refletir se cada uma das suas despesas é realmente necessária e como esse gasto pode ser mais eficiente”.

PASSO 3: CATEGORIAS

Separe o que é gasto fixo do que é gasto variável O diagnóstico financeiro consiste em organizar seus gastos em categorias, como explica o fundador do aplicativo de finanças pessoais Mobills, Carlos Terceiro. “Quando nos referimos aos gastos fixos estamos falando do seu padrão de vida. Já os gastos variáveis estão, diretamente, ligados ao seu estilo de vida”.

PASSO 4: ANÁLISE

Cortar ou reduzir?  O ideal é fazer todo levantamento e analisar se os custos estão dentro do possível para a renda, lembrando que não pode gastar tudo o que ganha e ficar no zero a zero. A dica é da terapeuta financeira, Aline Soaper. “A melhor forma de fazer esse ajuste é descobrindo onde dói menos cortar ou reduzir. Buscar formas de aumentar a renda e não sofrer”.

PASSO 5: METAS E PRAZOS

Disciplina Fazer planos de curto, médio e longo prazo podem servir de estímulo nessa jornada de adquação de custos. “Uma dica muito interessante é viver com o padrão de vida anterior ao seu último salário. Ou seja, se teve um aumento, viva com o salário antes desse aumento e assim sucessivamente”, aconselha o fundador do Mobills, Carlos Terceiro.

RELATO: PLANEJAMENTO E CAUTELA

‘É ter em mente sempre as prioridades e custos’, afirma  Tamires
(Foto: Arquivo Pessoal)

Tamires Lelys, fisioterapeuta  Trabalho como autônoma e no inicio tive muitas dificuldades em conciliar os gastos fixos de moradia e do studio que inaugurei com as variações do meu salário, já que o público do Pilates muda sazonalmente. O que mais pesava era  a vontade de abrir meu próprio negócio, num momento em que  só se falava sobre a crise financeira do país. Isso me fez ser mais cautelosa para evitar dívidas, como empréstimos bancários. No âmbito pessoal,  a alternativa foi ponderar os meus gastos com lazer, viagens e vestimenta. Precisei traçar as minhas prioridades e organizar os meus gastos antes de tomar a decisão de ter o meu studio. Isso significou zerar as contas do cartão de crédito e deixar de lado o consumismo. A partir daí, depois de analisar todos esses gastos e fazer estas mudanças no meu orçamento eu  fiz uma projeção de gastos a curto e longo prazo, e um controle do rendimento. E uma das coisas que eu acho mais importante: colocar como imprescindível manter uma reserva financeira, com um valor mínimo estipulado. Agora eu tenho todo o controle da minha situação financeira. Hoje controlo todos os meus gastos, consigo evitar fazer dívidas, e mantenho uma reserva financeira segura. Isso me deixa mais tranquila. Com disciplina, a partir do momento que se consegue ter o controle dos custos e do salário, é possível sim adequar o nosso padrão de vida ao que ganhamos – mesmo que esta renda seja variável. É ter sempre em mente as prioridades e planejar os gastos com cautela. É preciso identificar os momentos certos de investir e os de economizar.

PARA FECHAR A CONTA

Despesas Todos os gastos devem entrar no cálculo e não só as despesas fixas, como muitas vezes costuma ser feito. Até a média que costuma gastar com lazer, alimentação fora de casa e o pão que comprou na padaria precisam fazer parte deste levantamento.

Padrão  Não dá para analisar o custo de vida efetivamente sem analisar o comportamento recorrente destes gastos. Os especialistas em finanças recomendam acompanhar por, no mínimo, seis meses para avaliar o peso destas contas no orçamento.

Economia, PIB, Selic… Importam  Quando a Selic (Taxa Básica de Juros) está mais baixa, o chamado custo do dinheiro fica mais barato. Assim, as taxas dos financiamentos acabam sendo empurradas para baixo também. Mas isso não é, necessariamente, uma licença para gastar mais. Se a pessoa tem projetos que
exigem bastante dinheiro (comprar um imóvel, trocar de carro), o ideal é planejar essa compra bem antes para evitar surpresas e acompanhar também o cenário econômico.

E por falar em planejamento…  É importante insistir que quem se planeja consegue gerir o orçamento melhor e adequar seu padrão de vida de forma menos apertada e sofrida. As fases da vida de uma pessoa não são tão imprevisíveis: primeiro, vem o trabalho e a preocupação com a carreira, depois um possível casamento e filhos, depois o descanso da aposentadoria. Saber como se planejar para esses momentos é o que faz a diferença.

Desperdícios e excessos Apesar de sempre ficar aquela sensação de que já cortou tudo que podia, olhe mais atentamente ao seu orçamento. Vai ser algo ali, que, com certeza, ser eliminado. E se não tiver mais pra onde cortar, busque uma renda extra.

Fonte: Correio On Line

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