A tradicional Lavagem do Senhor do Bonfim, em Salvador, evento religioso que há 280 anos atrai fiéis. • Divulgação/Governo da Bahia
A tradição e a fé se encontram nas ruas de Salvador, nesta quinta-feira (15), com a Lavagem do Bonfim. A cerimônia, que reúne cerca de dois milhões de pessoas, entre baianos e turistas, percorre quase oito quilômetros, da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na Cidade Baixa, até a Colina Sagrada do Bonfim, no bairro do Bonfim.

A Lavagem do Bonfim é um dos símbolos mais fortes do sincretismo baiano: a devoção católica ao Senhor do Bonfim convive com referências das religiões de matriz africana. • Divulgação/Governo da Bahia
O evento é monitorado em tempo real pelo CICC (Centro Integrado de Comando e Controle), ativado na madrugada de hoje para garantir segurança e organização.
O CICC reúne representantes das polícias militar, civil e técnica, do Corpo de Bombeiros, de órgãos municipais e de prestadores de serviço. De acordo com a SSP-BA (Secretaria da Segurança Pública da Bahia), 2.087 policiais e bombeiros atuam em patrulhamento preventivo ao longo de todo o percurso, com apoio de câmeras de reconhecimento facial e POEs (Plataformas de Observação Elevada).
O Corpo de Bombeiros mantém quatro PCBOMs (Postos de Comando) distribuídos ao longo do percurso. Segundo a corporação, cerca de 100 mil copos biodegradáveis de água tratada, fornecidos pela Embasa, são distribuídos em cinco pontos de hidratação, localizados em áreas de maior concentração de público, como o Trapiche Barnabé, o Mercado do Peixe, o Largo de Roma e a própria Igreja do Bonfim.
História
A Lavagem do Bonfim é uma tradição religiosa e cultural da Bahia, que mistura devoção católica e elementos do candomblé. Segundo historiadores, a celebração começou no século XVIII, quando a imagem do Senhor do Bonfim chegou de Portugal. Inicialmente, negros escravizados lavavam a igreja em preparação para a festa, prática que depois foi proibida dentro do templo e levada para o adro e as escadarias. Hoje, o ritual envolve baianas com água de cheiro, flores e ervas, homenageia também Oxalá e é reconhecido como patrimônio imaterial da Bahia.
O cortejo percorre quase oito quilômetros e transforma as ruas em um grande templo a céu aberto. De acordo com organizadores, fiéis fazem pedidos, agradecimentos e promessas, misturando religiosidade católica e candomblé.

Cortejo celebra a oração e a festa, a tradição religiosa e a alegria popular. • Divulgação/Governo da Bahia
De acordo com o Governo do Estado, a festa conta com ações integradas de segurança, cultura, turismo e direitos humanos. O Edital Ouro Negro financia 11 blocos de matrizes africanas, com foco na cultura negra e ancestralidade. A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) realiza a mobilização “Respeito é o nosso Direito”, voltada à proteção de crianças, idosos, população LGBTQIAPN+ e trabalhadores das festas populares.
O governador Jerônimo Rodrigues destacou a importância da celebração. “A Lavagem do Bonfim é um dos maiores símbolos da nossa cultura e da nossa fé. O Governo da Bahia trabalha para que essa manifestação aconteça com segurança, respeito e acolhimento, garantindo que baianos, baianas e visitantes vivam esse momento com tranquilidade e alegria”, afirmou.
A Secretaria de Turismo do Estado (Setur) acompanha as festividades da Novena do Senhor do Bonfim ao longo de toda a programação religiosa. Na Lavagem, a Setur participa do cortejo com o bloco Agô Bonfim, reunindo representantes do trade turístico, parceiros e servidores.
Segundo a secretaria, a programação segue nesta sexta-feira (16), com a Missa da Noite do Turismo e da Cultura, às 19h, na Basílica do Bonfim.
Fonte: CNN Brasil









