Trump exibe tratado de paz de Gaza — Foto: Fabrice Coffrini/AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente nesta quinta-feira (22) seu “Conselho da Paz”, uma estrutura com a qual seu governo pretende supervisionar a paz na Faixa de Gaza e em outras regiões do mundo, com outros 60 líderes mundiais convidados por Trump.
O presidente Lula (PT) está entre os convidados foi convidado pelo norte-americano para integrar o conselho, mas ainda não respondeu ao convite.
A proposta de Trump vem sendo vista também, entre parte da comunidade internacional e da diplomacia mundia como uma tentativa de enfraquecer o papel da Organização das Nações Unidas (ONU).
O Conselho da Paz é uma estrutura criada por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza. A iniciativa também pode atuar em outros conflitos internacionais no futuro.
Desde que Trump anunciou o conselho, diplomatas vêm dizendo que a medida também pode enfraquecer as Nações Unidas como um todo.
“É uma ‘Nações Unidas de Trump’ que ignora os princípios fundamentais da Carta da ONU”, afirmou um diplomata à agência de notícia Reuters.
“E se questionarmos isso… retrocedemos para tempos muito, muito sombrios”, disse o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas Annalena Baerbock à rede de TV Sky News.
Trump costuma criticar instituições multilaterais, principalmente ONU. O presidente norte-americano questiona a eficácia, o custo e a responsabilidade desses organismos e afirma que, muitas vezes, eles não servem aos interesses dos Estados Unidos.
Nesta quinta, durante a cerimônia de lançamento do conselho, em Davos, na Suíça, Trump voltou a criticar as Nações Unidas.
“Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo”, afirmou.
Problemas
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Trump exibe tratado de paz de Gaza — Foto: Fabrice Coffrini/AFP
Para Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), a estrutura proposta por Trump reúne uma série de falhas e concentra poder demais em uma única liderança, que seria a do próprio presidente dos Estados Unidos.
Ao exigir uma contribuição de US$ 1 bilhão por país interessado em um assento permanente e afirmar que administraria esses recursos, Trump levanta dúvidas sobre transparência e sobre o controle das decisões estratégicas, segundo o professor.
“O arranjo reflete uma abordagem personalista e unilateral, concentrando poder na figura de Trump, que teria influência decisiva e poder de veto sobre o funcionamento do órgão”, afirma. “Há um temor real de que o Conselho se torne uma espécie de ONU paralela, controlada pelos Estados Unidos.”
Ainda segundo Stuenkel, há questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, já que Trump nomeou o próprio genro, Jared Kushner, e o conselheiro Steve Witkoff para fazer parte da estrutura. Ambos têm interesses empresariais na região de Gaza.
“Enquanto isso, a ONU alerta que a situação humanitária em Gaza continua dramática, independentemente de novos fóruns políticos.”
Fonte: Portal G1 Mundo









