Programa Cisternas entrega 21.200 unidades na Bahia entre 2023 e 2025

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Uma em cada cinco cisternas do Brasil foi entregue na Bahia, revela balanço – Foto: Divulgação

Iniciativa voltada para captação e armazenamento de água em áreas de escassez hídrica, o Programa Cisternas teve uma retomada expressiva na Bahia na atual gestão do Governo do Brasil. O estado recebeu 21.200 unidades em três anos: 1.300 em 2023, 10.900 em 2024 e 9 mil em 2025. Numa comparação entre 2025 e 2022 (quando foram concluídas 870 unidades no estado), o crescimento é de 934%. Os sistemas de armazenamento garantem consumo familiar e o uso em escolas, lavouras e criação de animais.

O programa fechou 2025 com 104.300 unidades de captação e armazenamento de água entregues desde o início deste mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na comparação entre 2025 (48.900) e 2022 (quando foram entregues 6,7 mil cisternas em todo o país), o crescimento é de 630%.

Do total de estruturas finalizadas desde o início do mandato, 88,6% estão no Nordeste (confira infográfico). Só em 2025, foram 48.900 entregas, 43 mil na região. Em alguns estados, a evolução é acentuada. Em Pernambuco, o salto foi de 15 finalizadas em 2022 para 4.400 em 2025, crescimento de 29.200%. Outros avanços expressivos ocorreram no Maranhão, de 19 para 701 (3.500%), e no Rio Grande do Norte, de 218 para 2.300 (955%). Na Bahia, a quantidade de entregas desde 2023 (21.200) é a segunda maior da região Nordeste, atrás apenas do Ceará (28.900). Praticamente uma em cada cinco cisternas do país beneficiaram municípios baianos.

Conceito

O Programa Cisternas promove o acesso à água por meio de tecnologias simples e de baixo custo. O público-alvo é composto por famílias da zona rural com renda per capita de até meio salário mínimo, e equipamentos públicos rurais atingidos pela seca ou falta regular de água. As famílias devem estar no Cadastro Único do Governo do Brasil.

Pelo Novo PAC, são mais de 189 mil unidades contratadas na atual gestão, em uma meta de 219 mil. Há 1.037 municípios contemplados em 19 estados, por meio de 30 parcerias que somam R$ 1,7 bilhão em investimento. Desde 2003, são 1,34 milhão de unidades entregues.

O semiárido brasileiro é a região prioritária de atendimento. Nela, a principal tecnologia são as cisternas de placas, que captam e armazenam água de chuva para uso nos meses críticos de estiagem. O programa, contudo, tem um conjunto extenso de tecnologias sociais.

Tecnologias como as cisternas de 52 mil litros têm o objetivo de viabilizar a produção de alimentos e suprir a necessidade de animais. Há ainda vertentes específicas para escolas públicas rurais e sistemas multiuso, em modelos individuais e comunitários, implementadas principalmente na região Norte.

Transformação

Na Ilha de Marajó (PA), 260 cisternas mudaram a realidade do ambiente de ensino no município de Salvaterra. Abastecidas por poços artesianos, as escolas da região ficavam muitas vezes sem água quando faltava energia para as bombas d’água, o que dificultava a limpeza das salas, o preparo de alimentos e a higiene. Crianças e professores eram obrigados a voltar para casa. Com as cisternas, a captação no período chuvoso assegura o fornecimento na seca.

“Essa água garante higiene pessoal, limpeza, irrigação da horta e serve para o nosso consumo e da comunidade”, explica Siane Cristina Lopes, merendeira que recebeu capacitação para o uso das cisternas.

No município cearense de Morada Nova, Francisco Regivaldo Assunção viu o cotidiano mudar diante das tecnologias sociais do Programa Cisternas. “Antes acontecia de eu chegar para pegar água e ter gado dentro. Eu tangia para pegar a água para o consumo da casa. Aí, graças a Deus, a gente ganhou a cisterna do consumo para beber. Passou um tempo, e agora a gente ganhou essa outra, de produção. A água do córrego vem para cá, tipo filtrando. Depois passa por canos e cai dentro da cisterna. Como é uma água que vem do solo, é mais fertilizada e já ajuda a produzir. E assim as coisas vão melhorando.”.

O conceito de tecnologia social é central. Ele pressupõe participação dos beneficiários nas diversas etapas. Geralmente, as famílias e os pedreiros passam por formação do programa. “O Programa Cisternas foi uma mudança de paradigma no enfrentamento à seca e na convivência com o semiárido. Nos ensinou como melhorar condições de vida, cultivos, saúde, a vida das mulheres nesse bioma”, disse Lilian Rahal, secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS.

Resultados

A agricultora Iolanda Santos vive na comunidade Paiol, em Parnarama, no leste maranhense, e sente os resultados de forma direta. “Antes, a gente plantava uma quantidade só para consumo. Hoje, a gente planta uma quantidade maior, para consumir e vender. Isso gera renda”, relatou, lembrando que era comum passar até 30 dias diretos sem água. Hoje, há 238 cisternas em Parnarama, 124 entregues entre 2024 e 2025.

O produtor Erasmo da Silva atua na zona rural de Boqueirão, município do sertão do Cariri, na Paraíba, e avalia o programa. “Foi uma bênção e ajudou nos quintais produtivos, que permitem que os agricultores plantem em quantidade e com garantia de compra governamental via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)”, ressaltou o morador do município de 18 mil habitantes, que teve 130 cisternas entre 2024 e 2025.

Imagem ilustrativa da imagem Programa Cisternas entrega 21.200 unidades na Bahia entre 2023 e 2025

| Foto: Divulgação

Eficácia

Para Vitor Santana, coordenador do programa no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate, ao longo dos anos a iniciativa tem se mostrado efetiva não apenas por garantir acesso à água.

“O programa tem impactos significativos e diversos, como a redução na incidência de doenças de veiculação hídrica, da mortalidade infantil, o aumento e diversificação da produção agroalimentar, por dinamizar a economia local e gerar renda”, resumiu.

Fonte: A Tarde

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