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O uso de laxantes como estratégia para perder peso volta a ganhar espaço nas redes sociais, mas médicos alertam: não há queima de gordura, apenas perda de água e risco real para o coração, o intestino e a saúde mental.
Nos últimos meses, uma prática perigosa tem reaparecido nas redes sociais com uma nova roupagem: o uso de laxantes para “desinchar”, “secar a barriga” ou “emagrecer rápido”.
Vídeos com milhões de visualizações sugerem que o intestino “limpo” significa corpo mais magro. Comentários reforçam a ideia de que evacuar mais é sinônimo de eliminar gordura. Mas a fisiologia humana não funciona assim.

“O laxante não atua no metabolismo da gordura. Ele atua no intestino. O que se perde é água e conteúdo fecal, não gordura corporal”, explica o médico nutrólogo Dr. Gustavo de Oliveira Lima.
A diferença parece simples, mas é crucial e ignorá-la pode trazer consequências sérias.
A falsa sensação de emagrecimento
Quando uma pessoa usa laxante, o peso na balança pode até diminuir temporariamente. Isso acontece porque há eliminação de líquidos e resíduos intestinais.
Mas essa redução não representa perda de gordura, que depende de déficit calórico sustentado e de ajustes metabólicos reais.
“O problema é que essa falsa perda de peso gera reforço psicológico. A pessoa acredita que encontrou um atalho e passa a repetir o comportamento, muitas vezes sem perceber o risco”, afirma o médico.
Essa dinâmica pode abrir caminho para comportamentos compensatórios e distorções na relação com o próprio corpo.
O que o laxante realmente faz no organismo
Laxantes estimulam o intestino a eliminar fezes mais rapidamente ou aumentam o teor de água no conteúdo intestinal. O uso frequente pode causar:
- Desidratação
- Perda de eletrólitos como potássio e sódio
- Cãibras e fraqueza muscular
- Alterações no ritmo cardíaco
- Dependência intestinal
- Piora da constipação a longo prazo
- Desequilíbrio da microbiota
A perda de potássio, por exemplo, pode interferir diretamente no funcionamento do coração. “Quando o uso se torna repetitivo, o intestino pode perder a capacidade de funcionar sozinho. A pessoa entra num ciclo de dependência que compromete não só a digestão, mas a absorção de nutrientes essenciais”, alerta Dr. Gustavo.

Gordura abdominal não se resolve no banheiro
A ideia de que o abdômen “estufado” é resultado apenas de fezes acumuladas é um mito.
A gordura abdominal está associada principalmente a:
- Resistência à insulina
- Inflamação crônica
- Excesso calórico
- Desequilíbrio hormonal
- Estresse e privação de sono
Nenhum desses fatores é corrigido com laxante. “Secar a barriga não é sobre acelerar o intestino. É sobre melhorar o metabolismo como um todo”, explica o nutrólogo.
O alerta para a saúde mental
O uso de laxantes com finalidade estética também acende um alerta maior. Esse comportamento pode estar associado a distúrbios alimentares ou a uma relação distorcida com o corpo. A pressão estética, combinada com promessas de resultados rápidos, cria um terreno fértil para práticas de risco.
Quando a busca por emagrecimento começa a envolver métodos extremos, é sinal de que o cuidado precisa ir além da dieta. É necessário olhar para o comportamento alimentar e para a saúde emocional.
O caminho real para reduzir gordura abdominal
Não há atalhos seguros. A redução de gordura corporal exige:
- Ajuste alimentar estruturado
- Controle de ingestão calórica
- Aumento de massa muscular
- Sono adequado
- Manejo do estresse
- Avaliação hormonal quando necessário
Em muitos casos, o abdômen saliente não é apenas excesso de gordura, mas inflamação, retenção hídrica ou disfunção metabólica que precisam ser investigadas.
A promessa de “emagrecer rápido” sempre existiu. O problema é quando ela ignora princípios básicos da fisiologia e coloca a saúde em risco.
Laxantes não queimam gordura. Não aceleram metabolismo. Não tratam resistência à insulina. Eles apenas aceleram o trânsito intestinal e podem desacelerar a saúde.
“Emagrecimento saudável não é sobre esvaziar o intestino. É sobre reorganizar o metabolismo. Qualquer solução que ignore isso está vendendo ilusão”, conclui Dr. Gustavo de Oliveira Lima.
Fonte: Acorda Cidade









