Vai faltar? Veja riscos aos combustíveis no Brasil com crise em Ormuz

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Entenda se há risco de desabastecimento – Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Os novos capítulos da novela global envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã não foram tão promissores como se achava que seria após uma reunião de negociações entre os países com objetivo de alcançar uma trégua mais duradoura dos conflitos no Oriente Médio.

As expectativas diante da abertura do Estreito de Ormuz, a maior cereja do bolo para o expansionismo e distribuição de petróleo em todo o mundo, caiu por terra quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump anunciou um processo de bloqueio total do canal marítimo responsável pelo transporte de mais de 20% do petróleo global.

“Com efeito imediato, a Marinha dos Estados Unidos, a melhor do mundo, iniciará o processo de BLOQUEIO de todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz”, escreveu o presidente americanos no Truth Social.

Os Guardiões da Revolução do Irã responderam ao posicionamento de Trump prometendo considerar qualquer aproximação militar como um gesto de fim ao cessar fogo proposto nos últimos dias. Há promessa de bombardeio caso o EUA tente.

Antes, o caminho marítimo já estava interditado pelo Irã desde o início da guerra e foi retomado neste mês após os EUA e o Irã concordarem com um cessar-fogo de duas semanas antes de expirar o prazo estabelecido por Trump para destruir o país.

Pelo menos 60 embarcações passaram pelo estreito — uma média de 10 por dia — desde que o cessar-fogo foi anunciado na noite da última terça-feira (7/4).

Como será o bloqueio naval dos EUA?

O manual do Comando Naval dos EUA acerca das regras jurídicas para operações navais de 2022 define um bloqueio como “uma operação beligerante para prevenir embarcações e/ou aeronaves de todos os Estados, inimigos ou neutros, de entrarem ou saírem de portos, pistas de pouso e áreas costeiras específicas que pertençam a, ou sejam ocupados por, ou estejam sob o controle de um Estado inimigo”.

O Comando Central dos EUA (Centcom, na sigla em inglês) afirmou que as forças militares americanas comaçariam a implementar o bloqueio por volta das 10h desta segunda-feira. De acordo com postagem no X, o bloqueio será aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entrarem ou saírem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã.

“As forças do CENTCOM não impedirão a liberdade de navegação para embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz com destino ou origem em portos não iranianos”, disse em nota.

Centcom também afirmou que informações adicionais serão fornecidas aos navegantes comerciais por meio de um aviso formal antes do início do bloqueio através de transmissões de Avisos aos Navegantes e em contato com as forças navais dos EUA no canal 16 (de comunicação entre pontes) ao operar nas proximidades do Golfo de Omã e do Estreito de Ormuz.

Petróleo vai continuar subindo

Durante o bloqueio da rota marítima, o preço do barril do petróleo passou a subir exponencialmente e chegou a ser negociado a quase US$ 120 em um único dia. Agora, os novos rumos do conflito continuam a ameaçar o fornecimento do petróleo, com riscos de aumentos exorbitantes do petróleo a países dependentes de exportação energética e até mesmo de desabastecimento do produto e derivados.

As primeiras horas após o início do pronunciamento de Trump quanto ao bloqueio de Ormuz, o mercado começou a reagir com temor sobre o futuro do petróleo. O preço do petróleo voltou a subir com força nesta segunda-feira, 13, com o barril do tipo Brent ultrapassando os US$ 100 — alta de mais de 7% — refletindo temores sobre o impacto do bloqueio no fornecimento global de energia.

A economista Juliana Ianhz explicou que, com o impedimento da circulação total dos navios pelo estreito impede que embarcações levem o petróleo para outras países, e pressiona a procura por rotas alternativas, que são mais longas. Entretanto isso encarece o produto diante do repasse dessa alta do transporte.

“Isso gera, claro, um efeito de espalhar o aumento do preço do petróleo sobre transporte, energia e o impacto acaba sendo, realmente, preços mais altos em combustível, uma pressão inflacionária maior por conta disso e expectativas maiores para a inflação e, naturalmente, joga a conjuntura para cima e piora a situação aqui. Aqui no Brasil, isso realmente piora”, explica ela.

Vai faltar combustível no Brasil?

Especialistas ouvidas pelo Portal A TARDE apontam que apesar de o Brasil despontar como um grande produtor de petróleo, especialmente na margem do pré-sal, e também na produção relevante de derivados, um cenário marcado por desabastecimento dos combustíveis no Brasil, diante de fechamento do Estreito de Ormuz, apesar de ter risco baixo, não é descartável.

Juliana Ianhz chama atenção, entretanto, para o cenário de derivados cuja dependência de importação é maior, como o diesel.

Esses derivados são precificados no mercado internacional. Então mesmo que não falte o petróleo em si, o que pode acontecer é um encarecimento grande do diesel e da gasolina como já tem acontecido uma pressão maior sobre os custos de logística. Isso geralmente impacta a inflação. Acredito que o nosso risco maior não é faltar de fato, mas é o combustível ficar muito caroJuliana Ianhsz – economista

Gabrielle Moreira, especialista em precificação de combustíveis da Argus, reforça essa tese apontando que no país é responsável pela produção de cerca de 80% do diesel, e a gasolina a cerca de 90%, entraves com o Estreito de Ormuz afeta até mesmo o fornecimento e distribuição desses derivados cujo o país ainda é dependente de importação.

“Mesmo que a gente tenha condições para pagar os preços que estão sendo pedidos no mercado internacional, precisamos ter uma quantidade de produtos disponível para o Brasil, porque tem muito fornecedor que prefere negociar com outras origens que pagam mais do que a gente. Também precisamos de navios disponíveis para entregar porque apesar de a gente ter disposição, ter caixa para adquirir esses produtos, se não termos o transporte do produto para chegar até aqui, nada adianta”, finaliza ela.

Picuinha de Trump é só cortina de fumaça no fracasso dos EUA

Por outro lado, há quem defenda que as ameaças de bloqueio total do Estreito de Ormuz pelos Estados Unidos seja apenas uma tentativa de jogar cortina de fumaça pelo “fracasso” na guerra no Oriente Médio e que o país norte-americano não tenha legitimidade para impedir passagem de nações que sejam apoiadoras do Irã.

A especialista em economia internacional, Daniela Cardoso Pinto, explica que Trump se viu em uma enrascada logo após a tentativa de acordo de paz com o Irã, na última semana, e pelo forte apoio bélico e econômico que o país tem de outras potências mundiais como a China e a Rússia.

Isso auto despende o orçamento financeiro que vem aumentando o déficit norte-americano e Trump não consegue sair da guerra de forma honrosa. Não conseguiu ter êxito nessa última negociação, porque o Irã não é a Venezuela. Então ele ameaça tomar o Estreito de Ormuz, que está fechado pelos iranianos, mas o Irã já falou que vai responder com bombardeios e teremos mais um episódio de guerraDaniela Cardoso Pinto – economista internacional

Apesar desses novos temerosos caminhos, a especialista afirma que isso não encarecerá mais além do que a guerra já está encarecendo os preços para o Brasil. “A alta dos combustíveis no Brasil só está encarecendo em decorrência da diminuição de oferta de de petróleo e ainda muito aquém do que o restante do mundo está tendo de aumento de custo”, finaliza ela.

O que levou os EUA a anunciar o bloqueio do Estreito de Ormuz?

O bloqueio foi anunciado como uma resposta a tensões militares e negociatas falhas entre os EUA e o Irã, visando impedir a passagem de embarcações em um momento crítico para o fornecimento de petróleo global.

Como o bloqueio impacta o preço do petróleo?

O bloqueio está pressionando os preços do petróleo para cima, com aumento significativo nas negociações, já que esse estreito é crucial para o transporte de mais de 20% do petróleo mundial.

O Brasil pode enfrentar desabastecimento de combustíveis devido ao bloqueio?

Embora o Brasil seja um grande produtor de petróleo, a dependência de importações para derivados como diesel aumenta o risco de desabastecimento, especialmente se o bloqueio persistir.

Quais são as consequências econômicas do bloqueio para o Brasil?

A continuada pressão no preço do petróleo e o risco de desabastecimento podem levar a um aumento dos preços dos combustíveis no Brasil, impactando a inflação e a economia como um todo.

As ameaças de Trump são uma cortina de fumaça?

Alguns analistas acreditam que as ameaças de Trump podem servir como uma distração para o fracasso militar dos EUA na região, sem real capacidade de impedir embarcações aliadas ao Irã.

Fonte: A Tarde

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