Dormir nos mesmos horários é bom para saúde Crédito: Freepik
Dormir bem não depende apenas de quantas horas se passa na cama. Estudos recentes indicam que variar com frequência os horários de dormir e acordar – inclusive nos fins de semana – pode aumentar o risco de doenças cardíacas, demência e problemas metabólicos. Para especialistas, a constância nos horários que se dorme e se acorda é um hábito que devemos adotar.
A regularidade do sono, definida como manter horários semelhantes para dormir e acordar, com variação de até 30 minutos, é um fator cada vez mais associado à saúde. A maioria dos adultos nos Estados Unidos não segue uma rotina consistente – o que pode trazer impactos negativos ao longo do tempo.
Embora as evidências venham principalmente de estudos observacionais, pesquisadores identificam um padrão claro: quanto maior a irregularidade do sono, maior o risco de problemas como doenças cardiovasculares, obesidade, depressão, ansiedade e demência.

A deficiência de magnésio pode prejudicar a qualidade do sono (Imagem: MAYA LAB | Shutterstock) por Imagem: MAYA LAB | Shutterstock
Em um estudo de 2020 com quase 2 mil adultos entre 45 e 84 anos nos Estados Unidos, participantes com horários de sono mais irregulares apresentaram mais do que o dobro de risco de desenvolver doenças cardiovasculares em comparação com aqueles que mantinham rotinas estáveis.
Outro trabalho, publicado em 2024 no Reino Unido, analisou dados de mais de 88 mil adultos e criou um índice de “regularidade do sono”. Os participantes com piores pontuações tiveram um risco cerca de 50% maior de desenvolver demência do que os que ficaram na faixa intermediária.
Ainda não se sabe exatamente a partir de que ponto a irregularidade começa a afetar a saúde, afirma Soomi Lee, professora associada da Universidade Estadual da Pensilvânia, em entrevista ao NYT. Mas, segundo ela, quanto maior e mais frequente o desvio do horário habitual – ao longo de dias, semanas ou meses * maior tende a ser o risco.“Quanto mais consistente você for”, afirma, “melhor será sua saúde no longo prazo”.
Uma revisão ampla de estudos publicada em 2023 reforçou esse cenário ao concluir que há evidências suficientes para recomendar horários regulares de sono como forma de proteção da saúde metabólica, mental e cardiovascular.
A principal explicação envolve o ritmo circadiano, o relógio biológico que regula não apenas o sono, mas também hormônios, metabolismo, apetite, humor e funções cardiovasculares. Quando esse sistema sai de sincronia, processos como a liberação do cortisol podem ocorrer em horários inadequados, aumentando o estresse e a inflamação no organismo, explica Chaput.
Além disso, o desalinhamento do ritmo circadiano pode alterar a sensação de fome, levando a refeições fora de hora, como comer tarde da noite, o que aumenta o risco de ganho de peso e obesidade.
Para reduzir a irregularidade do sono, especialistas recomendam estratégias simples, como criar um aviso para iniciar a rotina noturna cerca de uma hora antes de dormir e se expor diariamente à luz natural pela manhã, sempre no mesmo horário. A luz é o principal sinal que ajuda o corpo a manter seu relógio interno ajustado.
Fonte: Jornal Correio









