Ba-Vis da Série A podem acontecer sem torcida ou fora da Bahia; entenda

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Ba-Vi do Baianão em 2026 – Foto: Letícia Martins I EC Bahia

As torcidas de Bahia e Vitória passam o ano inteiro esperando pelos Ba-Vis – e podem perder a chance de acompanhar presencialmente os disputados pelo Brasileirão ou demais competições organizadas pela CBF. Em 2026, os clássicos Ba-Vi poderão ser disputados com portões fechados ou até mesmo fora do estado da Bahia.

A possibilidade passou a existir após a divulgação, nesta terça-feira, 27, do novo Manual de Competições da Confederação Brasileira de Futebol, documento que substitui o antigo Regulamento Geral de Competições e passa a nortear todas as competições organizadas pela entidade.

Portões fechados ou jogo fora do estado

Um dos pontos que chama atenção no novo manual é justamente a realização de partidas em situações envolvendo segurança pública. Em caso de determinação judicial ou manifestação de órgãos responsáveis pela segurança local para que um jogo aconteça com torcida única, a Diretoria de Competições da CBF poderá escolher remanejar a partida.

Isso significa que, em casos de jogos que têm torcida única como regra, a exemplo do Ba-Vi, a partida pode ser disputada em outro local (inclusive fora da jurisdição da federação estadual do clube mandante, ou seja, fora da Bahia) ou com portões fechados.

Ba-Vi do Baianão em 2026

Ba-Vi do Baianão em 2026 | Foto: Letícia Martins I EC Bahia

E se Bahia e Vitória entrarem em um acordo?

Existiria a possibilidade dos clubes envolvidos entrarem em um acordo mútuo para realização dos jogos com torcida única – mas não resolveria a situação. Em ambos os casos, a CBF afirma que deve ser garantido o “equilíbrio técnico-esportivo da competição”.

Na prática, a medida abre margem para que clássicos de alto risco, como o Ba-Vi, deixem de ser realizados em suas cidades caso as autoridades entendam que não há condições de segurança para a presença de público, o que acontece no Ba-Vi há 8 anos.

Ba-Vi do Baianão em 2026

Ba-Vi do Baianão em 2026 | Foto: Letícia Martins I EC Bahia

Ba-Vi com torcida única

O clássico entre Bahia e Vitória já é disputado com torcida única há oito anos. A medida foi adotada após o episódio conhecido como “Ba-Vi da Paz”, em 2018, que terminou em WO após invasões de campo e cenas de violência.

Desde então, não houve retorno das duas torcidas juntas no estádio, nem na Fonte Nova, nem no Barradão.

Com o novo Manual de Competições, a tendência é que o debate sobre segurança, torcida única e local das partidas ganhe novos capítulos ao longo do Brasileirão, especialmente em confrontos de grande rivalidade e histórico de conflitos.

Ba-Vi do Baianão em 2026

Ba-Vi do Baianão em 2026 | Foto: Letícia Martins I EC Bahia

Caso o Ba-Vi siga com determinação de torcida única e a CBF decida transferir ou fechar as portas do clássico, os dois times só se enfrentarão com torcida no Campeonato Baiano, disputado no início do ano.

No restante da temporada, não se encontrarão na Copa do Nordeste, que não é mais disputada pelo Bahia, nem em competições CONMEBOL, já que neste ano o Vitória não está classificado.

Por que a CBF criou o manual?

De acordo com a CBF, o novo manual adota uma estrutura alinhada às melhores práticas da FIFA e da CONMEBOL, além de incorporar sugestões encaminhadas por clubes e federações estaduais. A proposta, segundo a entidade, é tornar as normas mais claras, acessíveis e padronizadas.

“Trata-se de um movimento de simplificação, padronização e modernização dos nossos instrumentos normativos. O documento pretende causar um impacto imediato para todos os operadores do desporto no país, com características marcantes de inovação, modernidade, rapidez e acessibilidade”, afirmou o presidente da CBF, Samir Xaud.

Ba-Vi do Baianão em 2026

Ba-Vi do Baianão em 2026 | Foto: Letícia Martins I EC Bahia

Por que o Ba-Vi continua com torcida única?

Em outubro do ano passado, em uma reunião do Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios com órgãos públicos, torcidas e clubes envolvidos no clássico, o promotor de Justiça Hugo Cassiano Sant’Anna, integrante do Ministério Público da Bahia, justificou a decisão de manter o formato de torcida única.

“Percebe que há um sentimento de que esse seria o formato ideal. Nós temos a compreensão de que esse também seria o formato ideal, diante da possibilidade de ambas as torcidas poderem ir ao estádio, assistir ao jogo, torcer pelo seu time”, afirmou.

“A gente reconhece a importância, para o esporte, de que você tenha essa pluralidade de torcedores”, opinou. Segundo o promotor, no entanto, o atual modelo tem sido bem-sucedido do ponto de vista da segurança pública.

Ba-Vi do Baianão em 2026

Ba-Vi do Baianão em 2026 | Foto: Letícia Martins I EC Bahia

Ele explica que, desde a implementação da medida, não há registros de ocorrências graves ou confrontos dignos de nota, resultado que reforça a confiança das autoridades na manutenção temporária desse formato.

“O sentimento dos órgãos de segurança e do sistema de justiça é de que o formato de torcida única tem sido muito bem-sucedido. Não tem havido ocorrências graves ou dignas de registro. E essa é a nossa maior preocupação”, explicou.

Muito além da bola rolando, a partida é viabilizada pelos profissionais do Ministério Público, da Polícia Militar, da Polícia Civil e dos órgãos municipais que buscam garantir a integridade física do torcedor.

Para isso, há um trabalho coordenado de análise e ao aprimoramento dos protocolos de segurança: “O torcedor consegue adentrar o estádio, assistir ao seu jogo e retornar em segurança. Da mesma forma, as equipes envolvidas não têm registrado ataques a ônibus ou aos profissionais que atuam nesses jogos. Esse é o formato que, no momento, tem se mostrado o mais adequado do ponto de vista da segurança”.

Confira o trecho da determinação:

“5. No caso de determinação judicial ou manifestação de órgão público responsável pela segurança pública local para a realização de partida de Competição organizada pela CBF com a presença de torcida única, a DCO, a seu critério, poderá remanejar a partida para outro local, inclusive fora da jurisdição da Federação Estadual do Clube Mandante, ou determinar a realização da partida com portões fechados, garantindo-se o equilíbrio técnico-esportivo da competição.

6. No caso de acordo celebrado entre Clubes para a realização de partida com a presença de torcida única, a DCO, a seu critério, poderá remanejar a partida para outro local, inclusive fora da jurisdição da Federação Estadual do Clube Mandante, ou determinar a realização da partida com portões fechados, garantindo-se o equilíbrio técnico-esportivo da competição.”

Fonte: A Tarde

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