Por Bruna Coimbra*
Você já ouviu falar na importância do uso de camisinhas para evitar as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), certo? É bem provável que sim. Mas você talvez não saiba o impacto que as doenças sexualmente transmissíveis podem ter na sua fertilidade.
Muita gente acredita que, apesar do estigma social das infecções sexualmente transmissíveis, não há dano maior, pois é só tratar e fica tudo bem. Bom… Não é bem assim… Mesmo que os tratamentos tenham se tornado mais eficazes, acessíveis e até mesmo menos incômodos, com menos efeitos colaterais, como é o caso do avanço no tratamento do HIV nas últimas décadas, prevenir é sempre a melhor alternativa.Publicidade
A infecção por clamídia e a gonorréia estão entre as infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo e são conhecidas pelo seu efeito deletério à fertilidade. Muitas vezes assintomáticas, essas infecções podem passar despercebidas entre os jovens, o que aumenta a sua disseminação.
O problema pode se manifestar clinicamente muitos anos após a infecção com o diagnóstico da infertilidade conjugal. Na mulher é muito comum a obstrução tubária gerada pela inflamação causada por essas bactérias com a formação de aderências pélvicas. O tratamento, após ocorrido o dano, não é mais com um simples antibiótico, mas com fertilização in vitro.
Já no homem as ISTs podem afetar a uretra (canal da urina), próstata ou epidídimo (local onde ocorre o amadurecimento dos espermatozoides). Com isso a qualidade do sêmen fica comprometida.
De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2023, cerca de 59% dos brasileiros não usaram preservativo (camisinha) em nenhuma das relações sexuais que tiveram nos 12 meses anteriores ao questionário. A redução das camisinhas é apontada como principal motivo do aumento de ISTs no Brasil – 64,9% de crescimento na faixa 15-19 anos e 74,8% em 20-24 anos na última década.
A tendência não é exclusivamente brasileira. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o uso de preservativos caiu de 70% para 61% para meninos de 15 anos com a vida sexual ativa e de 63% para 57% entre meninas da mesma idade, no período de 2014 para 2022 em todo o planeta.
Vai curtir o carnaval? Seja clichê! Previna-se e use camisinha!
* Médica ginecologista e especialista em fertilidade da Clínica Origen BH
“Este texto não reflete, necessariamente, a opinião”
Fonte: Hoje em Dia









