Imagem: Envato
Nos últimos meses, o tema planejamento estratégico voltou com forte intensidade ao topo da agenda das corporações dos mais variados portes e segmentos de mercado, motivado por grandes transformações estruturais no mercado.
Algumas das mais importantes transformações que têm impactado profundamente os negócios:
- Comportamento: as mudanças no comportamento e nos hábitos de consumo, impulsionadas pelas novas tecnologias, pela força das novas mídias, pelo poder de influência das redes sociais e pelo maior grau de conscientização social, ambiental e financeira (a busca por mais valor a menor preço);
- Jornadas de compra: as jornadas de compra estão mais fluidas e sem atritos entre diferentes canais, com forte componente digital, agora incrementado pela IA, no momento da descoberta e da comparação de alternativas;
- Economia da experiência: o crescimento da valorização das experiências, da praticidade e da conveniência, tendo o componente de serviços como alavanca de novas receitas e incremento de fidelização;
- Bem-estar: as implicações das mudanças provocadas pela verdadeira revolução da saúde e do wellness, alterando o estilo de vida, o consumo de alimentos e bebidas, as práticas esportivas, o lazer e o entretenimento;
- Competitividade: a concorrência transversal, que não fica mais restrita aos tradicionais players, mas pode vir de outros países e de outros segmentos;
- IA: o brutal impacto da Inteligência Artificial nos negócios, quebrando paradigmas, redesenhando modelos de negócios e redefinido as relações com clientes e consumidores;
- Velocidade: por último, mas não menos importante, o fato de que o ritmo dessas e outras mudanças aumenta a cada dia, tornando o cenário de mercado altamente imprevisível e incerto.
Além dos fatores externos, é fundamental ter um entendimento profundo da empresa e do seu negócio, conhecer seu DNA, propósito, valores e princípios, ambições e seus ativos mais importantes, além de sua cultura organizacional. A junção dos elementos externos e internos permite a construção de uma jornada de planejamento estratégico que aponta caminhos, define as escolhas e as renúncias e alinha toda a empresa em torno de objetivos comuns.
Com base em nossa experiência na condução de projetos de planejamento estratégico em diversas empresas, alguns fatores têm se mostrado críticos para que essa jornada seja bem-sucedida:
- Priorização: o desdobramento do planejamento estratégico para as iniciativas táticas e operacionais gera uma série de planos de ação, que precisam ser priorizados com base em critérios claros e mantidos ao longo do tempo. Temos observado muitos times sobrecarregados com um excesso de ações, sem uma visão clara de prioridades, sequências e desdobramentos;
- Execução: por melhor que seja o planejamento, a consistência, o alinhamento entre as áreas e a disciplina na execução são peças-chave para o sucesso;
- Adaptabilidade: as empresas que conseguem se adaptar mais rapidamente às mudanças têm chances de prosperar. Elas testam, erram, ajustam, adaptam-se e evoluem com uma mentalidade de MVP (mínimo produto viável).
O cenário é altamente desafiador e volátil para todas as empresas, em todos os segmentos de mercado. Uma jornada de planejamento estratégico não trará “adivinhações” sobre o futuro, não é esse o objetivo.
Na minha opinião, a grande contribuição que um exercício de planejamento estratégico bem desenhado e executado traz é permitir que a empresa reduza o grau de incerteza e crie, de modo estruturado e alinhado, mecanismos para aprender mais rápido e se adaptar com mais efetividade às mudanças que certamente continuarão a acontecer.
Rodrigo Catani é head da Gouvêa Consulting.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Fonte: Mercado&Consumo









