Marina Ruy Barbosa quebra o silêncio e revela por que não raspou o cabelo em Amor à Vida: ‘Não foi uma questão fútil’

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Marina Ruy Barbosa Crédito: Reprodução/Instagram

Marina Ruy Barbosa voltou a falar sobre uma das maiores polêmicas de sua carreira. Mais de uma década depois de interpretar Nicole em “Amor à Vida”, novela de Walcyr Carrasco exibida pela Globo em 2013, a atriz explicou por que decidiu não raspar o cabelo para viver a personagem, que enfrentava uma leucemia em estágio terminal.

Em entrevista ao podcast “Pod I”, da GloboNews, comandado pela jornalista Andréia Sadi, Marina contou que a decisão não foi tomada simplesmente por uma questão estética. Aos 17 anos, ela acompanhou mudanças na história de Nicole e avaliou, junto à Globo, que a transformação radical no visual já não teria o propósito inicialmente previsto.

Marina Ruy Barbosa por Reprodução/Instagram

“Eu sempre tive uma personalidade muito forte, mas que não significa difícil. Mas, assim, eu sempre tive uma personalidade muito forte de coisas que eu não abro mão, que não têm negociação. Tipo… passar por situações onde eu não me sinto, por exemplo, dizer não para alguma coisa que não faz sentido. Eu vou contar uma história antiga, mas que me perseguiu durante muito tempo, que é a história da novela do Walcyr Carrasco, que tinha a questão de raspar ou não a cabeça”, iniciou ela.

Na época, a atriz foi duramente criticada por não raspar os cabelos. A decisão chegou a alimentar comentários de que ela não estaria suficientemente comprometida com a personagem. Como consequência, Nicole morreu pouco tempo depois na trama e passou a aparecer como uma espécie de fantasma ao longo da novela, sem falas.

Anos depois, Marina revelou que chegou a ter medo de que o episódio tivesse repercussões negativas em sua carreira. “Eu tinha 17 anos e, quando a gente está numa obra dessa, a gente sabe que tudo pode mudar. Mas, quando me chamaram para fazer a novela, ia ser uma coisa, me explicaram outra coisa, de repente as coisas foram mudando e indo para um outro caminho”, contou.

Segundo a atriz, a mudança teria feito sentido caso estivesse ligada a uma ação de conscientização sobre a doença e tivesse um propósito além do entretenimento. “Naquele momento, se fosse algo que realmente tivesse uma importância, que, além do entretenimento, tivesse uma mensagem de trazer informação sobre prevenção, que tivesse uma campanha social envolvida, eu acho que faria todo o sentido e tudo bem”, explicou.

Marina afirmou que, conforme a história avançou, ela e a emissora entenderam que a mudança no visual não teria o impacto inicialmente planejado. “As coisas foram indo para um outro lugar e aí, ao meu redor, virou uma coisa assim: ‘Marina não é atriz de verdade, porque ela não raspou a cabeça para o personagem’. Só que, assim, tudo depende, tudo é muito relativo, sabe?”, disse.

“Hoje, ainda bem, as coisas mudaram muito também. Hoje em dia é muito mais fácil você ter uma conversa com o autor com quem você está trabalhando. Antigamente era assim [difícil]. Eu tinha 17 anos, era um dos meus primeiros papéis mais adultos, apesar de ser menor de idade”, afirmou.

Medo de perder oportunidades

A atriz também revelou que pensou bastante antes de tomar a decisão e chegou a questionar se a recusa poderia prejudicar sua trajetória profissional. “Eu penso muito antes de tomar uma decisão. Eu penso, penso, penso e, quando eu tomo a decisão, quando eu tenho certeza dos argumentos e acredito neles, o meu não é poderoso, é embasado. Porque eu sou muito comprometida com o meu trabalho, sempre fui, desde pequena, até um pouco demais nesse sentido de querer dar o meu melhor, de ter autocrítica comigo mesma”.

Marina contou que se perguntava se o episódio poderia fazer com que ela perdesse oportunidades ou ficasse marcada no mercado. “Então, era um momento que eu tive muito medo de: ‘Será que isso vai definir a minha carreira?’, ‘Será que eu não vou ter mais oportunidades?’, ‘Será que eu vou ficar estigmatizada por isso?’. Na época, eu realmente fiquei com essa dúvida”, relembrou.

Segundo ela, a questão foi discutida com a Globo e, após as conversas, os dois lados chegaram à conclusão de que não havia necessidade de realizar a mudança.

“Conversando também com a própria Globo, a gente viu que não fazia sentido, que seria uma coisa muito pontual e que não ia ter embasamento suficiente de tudo isso que era previsto de ação social, de conscientização, e que ia ficar mais só pelo entretenimento. Então, em uma conversa muito franca com a Globo, a gente chegou nessa conclusão de que realmente não precisava”, explicou.

Marina ligou para Walcyr anos depois

A história, porém, não terminou naquele momento. Anos depois, Marina decidiu procurar Walcyr Carrasco, autor de “Amor à Vida”, para conversar diretamente sobre o episódio. Segundo a atriz, o assunto continuava sendo lembrado e os dois nunca haviam conversado sobre o que aconteceu nos bastidores.

“Anos depois, chegou um momento que eu falei assim: ‘Isso ainda fica rodeando e eu nunca mais conversei com o Walcyr’, que era o autor da novela, e às vezes ele nem sabe como foi passado para mim, como estava sendo tratado, como eu estava sendo tratada. O Walcyr é supertalentoso, eu já tinha feito outros trabalhos com ele… Então teve um dia que eu falei assim: ‘Eu vou pegar o telefone do Walcyr e ligar para ele’. E aí eu pedi o telefone para alguém e pensei: se bobear, ele não vai nem atender, porque é um número desconhecido”, contou.

Marina contou que explicou ao autor como a situação havia sido apresentada a ela inicialmente e quais motivos levaram à decisão de não raspar o cabelo.

“Aí eu peguei o telefone e falei: ‘Oi, Walcyr! Tudo bem? Aqui é a Marina Ruy Barbosa’. E aí ele: ‘Oi’, sem saber o que vinha pela frente. E eu: ‘Já passou tanto tempo e a gente nunca conversou, né? Eu queria muito conversar com você sobre tudo que aconteceu e por que eu tomei essa decisão. Foi por isso, isso, isso, isso que estava acontecendo nos bastidores, o que foi me passado inicialmente’. Não foi uma questão fútil, foi uma questão também de dramaturgia e, ao mesmo tempo, claro, eu iria abdicar ali, numa fase até difícil, de 17 anos, em que você não é totalmente adulta. E você abdica de uma certa vaidade pelo amor que você tem pelo trabalho, mas isso tem que fazer sentido e ter um propósito”, falou.

De acordo com a atriz, a conversa foi positiva. “E foi uma conversa muito boa com o Walcyr, porque a gente esclareceu tudo. E ele falou: ‘Marina, eu adoro seu trabalho, que bom que você me ligou e eu espero que a gente ainda trabalhe juntos’. Então, eu acho que foi muito bom”.

Fonte: Jornal Correio

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