Até 45% do risco de demência pode ser modificado; veja seis fatores que podem ser evitados

0
4

Até 45% do risco de demência pode ser modificado; veja seis fatores que podem ser evitados Crédito: Shutterstock

Até 45% do risco de demência é potencialmente modificável, de acordo com especialistas do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo, com base na literatura médica. Embora o avanço da idade seja o principal fator associado ao desenvolvimento do quadro, parte dos fatores relacionados à doença pode ser modificada ao longo da vida.

Entre as medidas que podem contribuir para a prevenção ou para o retardo do declínio cognitivo estão alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, controle de diabetes e hipertensão e estímulo constante ao aprendizado. O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que compromete a memória e outras funções cognitivas. Com a evolução, pode afetar também a capacidade de realizar atividades do cotidiano e provocar alterações comportamentais e sintomas neuropsiquiátricos, como apatia, agitação, depressão, ansiedade, irritabilidade, delírios e alucinações.

Centros de AVC participantes por Imagem gerada pela IA

Hábitos podem acumular efeitos ao longo da vida

Segundo o neurocirurgião do Iamspe José Oswaldo de Oliveira Júnior, controlar doenças crônicas e manter estímulos cognitivos são medidas que podem contribuir para reduzir ou retardar o declínio cognitivo. “Os hábitos adotados ao longo da vida, como má alimentação, sedentarismo e tabagismo, podem apresentar efeito cumulativo e independente sobre esse risco. Quanto maior o número de comportamentos saudáveis adotados simultaneamente, maior a possibilidade de reduzir o risco”, explica.

Os fatores associados à demência podem ser observados em três diferentes fases da vida: início da vida, até os 17 anos; meia-idade, dos 18 aos 64 anos; e vida tardia, a partir dos 65 anos.

  • 1. Baixa escolaridade
    Durante o início da vida, a baixa escolaridade aparece entre os fatores associados ao risco de demência. Segundo os especialistas, essa condição está relacionada ao menor desenvolvimento da chamada reserva cognitiva, que pode ajudar o cérebro a lidar com alterações decorrentes do envelhecimento e de doenças.
  • 2. Hipertensão
    Na meia-idade, a hipertensão ganha destaque entre os fatores associados ao risco. A pressão arterial elevada pode provocar danos aos vasos sanguíneos do cérebro e, por isso, o acompanhamento e o controle da condição fazem parte das medidas de prevenção relacionadas à saúde cerebral.
  • 3. Diabetes
    O diabetes também está entre os fatores que merecem atenção durante a meia-idade. A doença pode provocar alterações metabólicas e vasculares que afetam o organismo e estão associadas ao risco de comprometimento cognitivo.
  • 4. Sedentarismo
    A falta de atividade física é outro fator associado à demência. O sedentarismo aumenta a probabilidade de doenças cardiovasculares e metabólicas, que podem comprometer a saúde cerebral. Por isso, manter uma rotina ativa está entre as estratégias apontadas pelos especialistas.
  • 5. Isolamento social
    A partir dos 65 anos, o isolamento social passa a ter destaque entre os fatores associados ao risco de demência. Segundo o neurologista do Iamspe, a redução do contato social diminui os estímulos cognitivos e pode estar relacionada a outras condições, como depressão e sedentarismo.
  • 6. Perda visual não tratada
    Problemas de visão que não recebem tratamento também aparecem entre os fatores associados à demência na vida tardia. A perda visual pode diminuir a estimulação sensorial e cognitiva e, ao mesmo tempo, favorecer o isolamento social.

Poluição do ar também está entre os fatores

Outro fator associado ao risco na vida tardia é a exposição à poluição do ar. “A poluição do ar está relacionada a processos inflamatórios e alterações vasculares que também podem afetar o cérebro. Já a perda visual não tratada pode reduzir a estimulação sensorial e cognitiva, além de favorecer o isolamento social”, complementa o neurologista do Iamspe.

Os especialistas ressaltam que o fato de parte dos fatores ser potencialmente modificável não significa que seja possível eliminar o risco de demência. A idade avançada continua sendo o principal fator associado ao quadro. A prevenção está relacionada, portanto, à adoção de hábitos saudáveis e ao controle de condições que podem ser modificadas ao longo das diferentes fases da vida.

Fonte: Jornal Correio

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here