Pesquisa revela em qual idade surge o primeiro diagnóstico de depressão na pós-menopausa

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Estudo revela idade em que mulheres na pós-menopausa recebem primeiro diagnóstico de depressão Crédito: Freepik

Aos 43 anos, em média, mulheres brasileiras que já passaram pela menopausa receberam o primeiro diagnóstico de depressão, segundo um estudo inédito desenvolvido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com a Science Valley Research Institute. A pesquisa analisou 15.734 participantes da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019) e identificou que cerca de metade dos primeiros diagnósticos entre mulheres na pós-menopausa ocorreu entre 40 e 54 anos.

O levantamento é apontado pelos pesquisadores como o primeiro a detalhar o recorte etário do primeiro diagnóstico de depressão entre mulheres na pós-menopausa. O resultado chama atenção para uma fase da vida que, segundo a equipe responsável pelo estudo, ainda aparece pouco nas discussões sobre saúde mental. Na PNS de 2019, 14,7% das mulheres brasileiras relataram ter recebido diagnóstico de depressão, contra 5,1% dos homens.

Para a médica e pesquisadora em menopausa Fabiane Berta, autora do estudo sob orientação do professor Ivaldo Silva, o levantamento ajuda a identificar em que momento da vida os diagnósticos aparecem com maior frequência. “Falamos muito de depressão, mas pouco de quem estamos falando e em que fase da vida. A mulher na transição menopausal ainda não entrou nessa conversa com nome próprio e este estudo existe para colocá-la lá”, afirma.

Prevalência é semelhante, mas tratamento muda

A análise encontrou uma prevalência praticamente igual de sintomas depressivos entre mulheres em período reprodutivo e aquelas na pós-menopausa: 15,4% e 15,6%, respectivamente. A diferença aparece na forma de cuidado. Entre as mulheres na pós-menopausa com depressão, 74% utilizavam medicamentos, enquanto o índice era de 53,3% entre aquelas em período reprodutivo.

Já o acesso à psicoterapia seguia na direção oposta: 16,7% das mulheres na pós-menopausa faziam acompanhamento, contra 27,3% no grupo em período reprodutivo. “A prevalência é praticamente a mesma, mas o cuidado não. Quando a mulher chega à meia-idade, aumenta o uso de medicamentos e diminui o acesso à psicoterapia”, afirma Fabiane.

Segundo a pesquisadora, a fase também envolve mudanças no organismo que precisam ser consideradas na avaliação clínica. “Aos 43 anos, muitas estão atravessando uma fase de importantes transformações no organismo e isso também precisa fazer parte da investigação clínica. Não podemos olhar para a saúde mental dessa mulher de forma isolada”, acrescenta.

Diferenças regionais

O estudo também identificou diferenças entre as regiões brasileiras. O Centro-Oeste apresentou a maior carga depressiva entre as mulheres analisadas. Para Fabiane, fatores relacionados ao território podem interferir na experiência da menopausa e no acesso ao cuidado em saúde.

“A mulher de Cuiabá, a de Recife e a de Porto Alegre não atravessam a mesma transição. Muda a rotina de trabalho, a rede de apoio, a distância até o serviço de saúde e o tempo de espera por uma consulta. A menopausa brasileira tem sotaque e o território também precisa entrar nessa conversa”, explica.

PNS de 2026 poderá atualizar cenário

O Brasil também começou a atualizar os dados nacionais sobre saúde. Em julho deste ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou a terceira edição da Pesquisa Nacional de Saúde, que deve percorrer cerca de 140 mil domicílios até 30 de novembro de 2026.

O levantamento permitirá comparar os indicadores com as edições de 2013 e 2019. A pesquisa também prevê coleta de sangue e urina de 15 mil a 20 mil moradores com 35 anos ou mais, selecionados nas capitais e regiões metropolitanas. “O que fizemos com a PNS de 2019 estabeleceu uma linha de base. A edição de 2026 poderá ajudar a mostrar o que mudou, inclusive na saúde mental das mulheres depois da pandemia”, afirma Fabiane.

Paralelamente, o estudo EMBRACE busca ampliar o retrato da saúde feminina durante a transição menopausal e a pós-menopausa. Registrado no ClinicalTrials.gov e patrocinado pela Science Valley Research Institute, o levantamento prevê 1.592 participantes de 35 a 65 anos, distribuídas pelas 27 capitais brasileiras.

A pesquisa investiga sintomas, qualidade de vida, condições socioeconômicas, desigualdades e acesso aos serviços de saúde. “A PNS mostra onde estamos e o EMBRACE ajuda a entender quem são essas mulheres. São estudos diferentes e complementares, capazes de ampliar o conhecimento sobre a saúde feminina no Brasil”, diz Fabiane.

Fonter: Jornal Correio

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