Sinais de AVC podem desaparecer em minutos e ainda exigir atendimento imediato

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Sinais de AVC podem desaparecer em minutos e ainda exigir atendimento imediato Crédito: Imagem: Drazen Zigic | Shutterstock

Os sintomas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) podem desaparecer depois de alguns minutos, mas isso não significa que o risco passou. Alterações repentinas na fala, no rosto, na força de um braço ou de uma perna, na visão ou no equilíbrio exigem atendimento de emergência, mesmo que a pessoa pareça ter se recuperado.

A médica de família e comunidade Mariana Queiroz, da equipe da Palliative Care, explica que o desaparecimento dos sinais pode estar relacionado a um ataque isquêmico transitório (AIT), considerado um importante alerta para a ocorrência de um AVC. A orientação integra as recomendações relacionadas ao Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro.

“Uma das características do AVC é a instalação súbita dos sintomas. Se a pessoa apresenta uma alteração repentina na fala, na força ou no rosto, não deve esperar em casa. Mesmo quando o sintoma desaparece, pode ter ocorrido um ataque isquêmico transitório, o AIT, que é um importante sinal de alerta”, explica.

Por que cada minuto importa?

O AVC pode acontecer de duas formas principais. No tipo isquêmico, uma artéria que leva sangue ao cérebro é obstruída, geralmente por um coágulo. Já no hemorrágico, um vaso se rompe e provoca sangramento dentro ou ao redor do cérebro. Identificar qual mecanismo está envolvido é fundamental para definir o tratamento. Por isso, a investigação precisa começar rapidamente após o surgimento dos sintomas.

Também é importante informar à equipe de emergência quando foi a última vez que a pessoa estava bem. O horário pode interferir nas possibilidades de tratamento. “No AVC, tempo não é apenas cérebro. Tempo é independência funcional. Quanto mais tempo uma região cerebral permanece sem circulação adequada, maior pode ser a extensão da lesão e menor a possibilidade de recuperar completamente aquela função”, afirma Mariana.

Pressão alta pode agir em silêncio

A prevenção também passa pelo controle dos fatores que aumentam o risco de AVC. Entre eles estão hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo e doenças cardiovasculares. A fibrilação atrial também merece atenção, pois pode favorecer a formação de coágulos no coração que chegam ao cérebro.

A hipertensão, porém, pode permanecer durante anos sem provocar sintomas perceptíveis. Por isso, não sentir nada não significa que a pressão esteja controlada. “Muitas pessoas acreditam que sentiriam alguma coisa se a pressão estivesse alta, mas ela pode permanecer elevada durante anos, silenciosamente, causando danos progressivos às artérias”, alerta a médica.

Depois do AVC, cuidados continuam

Para quem já sofreu um AVC ou AIT, investigar a causa do episódio é importante para definir estratégias capazes de reduzir o risco de uma nova ocorrência. O tratamento também precisa ser seguido corretamente. Medicamentos como antiagregantes e anticoagulantes têm funções diferentes e não devem ser iniciados, combinados ou interrompidos por conta própria.

“O medicamento depois do AVC não é um detalhe. Muitas vezes, ele não existe para tratar um sintoma que a pessoa está sentindo naquele momento, mas para evitar um evento que ainda não aconteceu. Por isso, sentir-se bem não significa que o risco desapareceu”, explica Mariana.

Recuperação pode exigir equipe multidisciplinar

As consequências de um AVC variam de acordo com a região do cérebro atingida e podem envolver alterações motoras, de fala, memória, visão, deglutição e comportamento. Também podem surgir depressão, ansiedade, dor e perda de independência para atividades cotidianas. Após a alta hospitalar, o paciente pode precisar de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, nutrição, enfermagem e acompanhamento médico, de acordo com as necessidades identificadas.

A adaptação da casa e da rotina também faz parte desse processo. É necessário verificar, por exemplo, se a pessoa consegue sair da cama e chegar ao banheiro com segurança, se está conseguindo se alimentar e se os medicamentos estão organizados corretamente.

Família e cuidador também precisam de orientação

O acompanhamento em casa permite identificar dificuldades que nem sempre aparecem durante uma consulta. A equipe pode observar como o paciente está se movimentando, alimentando-se e utilizando os medicamentos, além de orientar a família sobre as adaptações necessárias.

“Quando acompanhamos o paciente em casa, conseguimos observar situações que nem sempre aparecem no consultório. É possível entender como ele está se movimentando, se alimentando e tomando os medicamentos e quais são as dificuldades que a família está enfrentando para adaptar a rotina”, afirma a médica. O impacto do AVC também pode alcançar quem assume os cuidados diariamente.

“Um AVC não muda apenas a vida do paciente. Frequentemente, muda a dinâmica de toda a família. Quem vai cuidar também precisa receber informação, orientação e apoio. Ninguém deveria simplesmente receber um paciente em casa e ter de descobrir sozinho como lidar com essa nova realidade”, ressalta.

A recuperação não se resume aos movimentos ou aos resultados dos exames. O acompanhamento deve buscar, dentro das possibilidades de cada paciente, a retomada da autonomia, das atividades cotidianas e do convívio social. Mesmo quando a pessoa volta a se sentir bem, a prevenção de um novo episódio precisa continuar. Controlar os fatores de risco, investigar a causa do AVC ou AIT, utilizar corretamente os medicamentos e manter o acompanhamento médico são medidas importantes para reduzir riscos futuros.

Fonte: Jornal Correio

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