RESPEITO É BOM E NÓS GOSTAMOS!

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Quem nunca encheu o peito para falar a seguinte frase: “Respeito é bom e eu gosto!”?
Mas o que é respeito? O que entendemos como respeito? O que fazemos para que o respeito seja um valor e não uma ação?
Faço parte de um grupo de estudos sobre educação moral, o GEEM (Grupo de Estudos em Educação Moral), onde construímos discussões, debates e ressignificações sobre os valores morais na educação e na vida. Estamos refletindo atualmente sobre a coleção VALORES SOCIOMORAIS – REFLEXÃO PARA A EDUCAÇÃO, organizada por Luciene Tognetta e Maria Menin. No último encontro, o tema foi RESPEITO. Ele me instigou de tal modo que senti a necessidade de escrever um pouco sobre.
Classificamos o respeito muitas vezes como um substantivo, algo que pode ser coisificado, buscando materializar aquilo que o representa. Mas também vislumbramos sua presença como uma ação, como um verbo que precisa ser conjugado em todos os tempos verbais. Ainda pode ser entendido como um sentimento moral, que está acima de uma norma, sendo sagrado para a construção de um ambiente socio-moral-cooperativo. Contudo, para que ele seja naturalizado em nossas ações, pensamentos e sentimentos, o respeito precisa enraizado como um valor.
De onde se origina a palavra respeito? Ela vem do latim “respectus”. AÇÃO DE OLHAR PARA TRÁS. Se, em algum momento, tivermos vergonha ou receio de olhar para trás, fatalmente chegaremos à conclusão de que nos faltou respeito para com o outro.
É preciso que o respeito seja encarado não somente como uma regra de convívio, pois esta, por si só, não se mostra suficiente. O respeito, enquanto regra, precisa fazer sentido. Precisa que tenhamos vontade de praticá-lo a fim de que sejamos afeitos e desejosos por conservá-lo. Por que que tantas leis são descumpridas? Por que a corrupção é tão percebida no Brasil?
Existem dois sentimentos que constroem, inicialmente, o respeito. Eles são o AMOR e o MEDO. Não é o respeito que faz todo o sentido, mas a fonte de onde o emana. Nosso primeiro referencial de convivência, regras e moral são os nossos pais. Descumprir algo que foi predeterminado por eles gera medo não pelo ato em si, mas pela fonte da regra (autoridade). Piaget (PIAGET, 1945/1977), grande educador, nos brinda com valorosas contribuições para que possamos referendar e refletir sobre o valor moral do respeito. Ele afirma que, para respeitar o outro, é preciso um esforço, uma vontade que é determinada pelo equilíbrio entre o bem a mim e o bem ao outro. E que só temos autonomia na vivência do respeito quando ele, enquanto valor, é CONSERVADO e as disposições para o bem, que não são fáceis de serem dadas, são duráveis e formam o caráter de uma pessoa.
Portanto, precisamos fazer um exercício de tomada de consciência para que nossas ações físicas sejam precedidas e/ou alimentadas de uma ação mental que nos possibilite a reconstituição, comparação e antecipação dos fatos com o fito de tomarmos uma decisão acertada, não somente pelo ponto de vista da regra, mas no prisma da moralidade. Sendo assim, o respeito será internalizado não somente como ato, mas um valor, uma realidade.

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