Até maio, 10 mil bebês vivos nasceram de mães adolescentes

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Gil Santos

gilvan.santos@redebahia.com.br

(Agência Brasil)

De janeiro a maio deste ano, 10.617 bebês nasceram de mães que tinham entre 10 e 19 anos, na Bahia. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), a gravidez na adolescência corresponde a 17,4% dos nascimentos vivos entre os baianos. O número preocupa os especialistas porque esse tipo de gestação apresenta riscos tanto para a mãe como para a criança.

Segundo o responsável pela Coordenadoria da Educação Ambiental e Saúde, da Secretaria Estadual da Educação (SEC), Fábio Barbosa, o governo tem investido em palestras, rodas de conversas e debates, entre outras ações, para conscientizar os meninos e meninas que estão nessa fase da vida. Ele detacou o Programa Saúde na Escola, do Governo Federal, como uma iniciativa que tem dado resultados.

“Esse programa é composto de 12 ações que devem ser desenvolvidas nas escolas, dentre elas, estão as ações relacionadas a direito sexual e direito reprodutivo, além da prevenção a doenças sexualmente transmissíveis. Nós acreditamos que essas ações contribuem para termos uma diminuição no número de adolescentes grávidas”, disse.

O programa é coordenado no estado pela SEC e a Sesab, e está presente em 600 escolas, nos 417 municípios. Segundo Barbosa, cerca de 300 mil estudantes foram alcançados nessas ações.

Outra iniciativa é o Projeto Saúde na Escola, do governo do estado. A ideia é parecida com o programa nacional, mas ele é mais flexível, deixando a cargo das escolas escolher quais temas abordar e quais ações desenvolver, levando em consideração as diferenças de cada comunidade. A SEC tem também um projeto experimental em Salvador em que capacita jovens para debater o assunto com outros colegas.

Capital 

Em Salvador, a média de nascidos vivos com mães entre 10 e 19 anos é de 16%, segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Em nota, o Município informou que tem investido em políticas de educação em saúde e em ações para o planejamento reprodutivo, com o objetivo de reduzir os índices de gravidez na adolescência.

Eles destacaram a implantação da Caderneta de Saúde do Adolescente, com as versões masculina e feminina, que orientam o atendimento dos jovens e tem linguagem mais acessível. A SMS também apontou a ampliação no número de atividades educativas com temas pertinentes a este público, principalmente durante a Semana do Adolescente, que é realizada anualmente no mês de setembro, em alusão ao Dia Nacional da Juventude (22 de setembro).

“Ao analisar o percentual de nascidos vivos de mães de 10 a 19 anos no município do Salvador observa-se que houve redução entre os anos de 2008 a 2018 de 15,69% para 12,18%. Esse decréscimo foi um pouco mais acentuado nos nascidos vivos de mães de 10 a 14 quando comparada às mães de 15 a 19 anos”, diz a nota.

No ano passado, 195 bebês nasceram de mães soteropolitanas que tinham entre 10 e 14 anos, e outras 4.040 crianças de adolescentes entre 15 e 19 anos. Em 2019, até julho, 95 casos do primeiro tipo e outros 2.047 do segundo.

A ginecologista, obstetra e professora adjunta da UFBA e EBMSP, Márcia Machado, contou que a gestação provoca mudanças físicas e emocionais em jovens que já estão em uma fase de muitas transformações por conta dos hormônios da puberdade, o que torna o processo mais difícil. Algumas delas desenvolvem transtornos alimentares e sintomas emocionais, como a depressão.

“Outra consequência importante da gestação na adolescência é o abandono ou atraso escolar por conta da maternidade. Muitas jovens engravidam sem planejar ou por motivações sociais do grupo, podendo gerar consequências sexuais e emocionais por toda a vida. Também aumenta o risco de hipertensão na gestação e nascimento de bebês com baixo peso nesses casos”, afirmou.

Márcia, que também é diretora da Associação de Obstetrícia e Ginecologia da Bahia (Sogiba), acredita que a melhor solução é a prevenção. “As adolescentes precisam ter acesso à informação correta para uma educação sexual adequada. Para isso o diálogo familiar, na escola e com profissionais de saúde representam principais ferramentas”.

Já a Secretaria de Política para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ) informou que, no mês de maio, lançou o projeto piloto Matermaio Salvador. O objetivo foi prestar serviços e discutir os conceitos de maternidade e maternagem, cuidados com o bebê, para combater o índice de mortalidade neonatal no município. A ação foi para mulheres gestantes e parturientes que utilizam o Serviço Público de Saúde (SUS).

“Como resultado, haverá uma versão teste, dessa vez, do Programa MaterSalvador e que ocorrerá em parceria com o sistema de garantias de direitos com foco na saúde do bebê e da mulher, incluindo mulheres jovens e adolescentes”, diz a nota.

A versão teste do programa MaterSalvador pretende cumprir o mesmo objetivo do Matermaio, além de reunir os poderes públicos, órgãos governamentais e não governamentais para levantamento de dados e informações imprescindíveis para implementação de políticas públicas voltadas para redução dos índices de gravidez na adolescência e mortalidade neonatal do município.

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