Novembro Negro: Entenda o impacto da Doença Falciforme na população negra e os desafios na saúde pública

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BNews conversou com especialistas para entender os impactos da Doença Falciforme na população baiana

De acordo com a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, existem quatro doenças que mais acometem a população negra no Brasil. Na lista, apenas uma é de origem hereditária: Anemia falciforme. As outras doenças são: Diabetes mellitus (tipo II), Hipertensão arterial e Deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase.

A Anemia falciforme é a condição genética hereditária mais comum no mundo. Em território baiano, cerca de 6,6 mil crianças nasceram com a doença entre 2015 e 2022, um dos maiores índices do mundo. Os dados são do Ministério da Saúde, que considera a Bahia como um dos estados com maior incidência da doença.

Diante disso, a Bahia conta com um Centro de Referência de Doença Falciforme da Bahia, localizado em Salvador. O espaço funciona desde o mês de março e visa ampliar o atendimento para as pessoas com a condição no estado. O Bnews conversou com a Drª Larissa Rocha, diretora do centro. Ela avaliou o impacto da unidade na vida da população.

O Centro Rilza Valentim aumentou o número de serviços prestados e equipe multiprofissional à população que apresenta doenças hematológicas benignas, em especial pessoas com doença falciforme, doença que é predominante em afrodescendentes. Além da assistência à saúde, estamos em diálogos constantes com as Associações de pacientes e representantes do governo estadual, federal e municipal no sentido de organizar os fluxos de atendimento”, avalia.

Desafios para saúde pública

Questionada sobre os desafios da saúde pública baiana para melhorar o atendimento à população negra, a diretora do centro afirmou que o primeiro passo é descentralizar os atendimentos, ramificando para o interior.

Buscar descentralização do atendimento para regiões do interior do Estado, manter diálogo com gestores para sensibilizar sobre os cuidados dessa população, ampliar a discussão sobre o assunto na esfera da saúde e educação, principalmente em ambientes escolares. Realizar treinamento de equipes assistenciais da rede básica e especializada, visto que existe uma grande rotatividade dos profissionais de saúde em unidades do SUS”, afirma Drª Larissa.


Estudo baiano visa dar melhor condição de vida

Bnewstambém conversou com a Drª Marilda Gonçalves. Ela está coordenando um estudo na Fiocruz Bahia, desenvolvido pela equipe do Laboratório de Investigação em Genética e Hematologia Translacional (LIGHT). O objetivo é proporcionar uma maior qualidade de vida para as pessoas com Doença Falciforme.

A Doença Falciforme é sistêmica, hereditária, e constitui-se em um desafio em saúde pública e social. Os indivíduos necessitam de acompanhamento por uma equipe multiprofissional, que tenha dedicação plena para a resolução das comorbidades que se apresentam. Um outro aspecto relevante é a necessidade de aproximação com os movimentos sociais para que eles tenham as suas reivindicações atendidas. […] Ainda será necessária uma abordagem relativa à liberação de terapias mais modernas, quando liberadas”, disse Drª Marilda.


O estudo conta com a colaboração das Doutoras Isa Lyra e Ivana Leite, do Centro Pediátrico Professor Hosanah Oliveira, do Hospital Universitário Prof. Edgar Santos (HUPES) da UFBA; Larissa Rocha e Isa Lyra, da Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba) e do Centro Estadual de Referência às Pessoas com Doença Falciforme – Rilza Valetim; SESAB; e das Dras. Elisangela Adorno, Cynara Barbosa e Junia Dutra, da Faculdade de Farmácia da UFBA.

O nosso grupo de pesquisa vem atuando e desenvolvendo pesquisa em Doença Falciforme em várias áreas do conhecimento, seja na educação, em unidades de saúde. Mas, também com estudos epidemiológicos, e na pesquisa de biomarcadores genéticos, inflamatórios, bioquímicos e imunológicos entre outros, com resultados importantes que melhoraram a qualidade de vida dos indivíduos com a doença”, afirma.


E completa:

No momento, nós estamos trabalhando com a produção de um escore clínico de prognóstico para a evolução da doença, de maneira a nortear os profissionais que acompanham os indivíduos com a doença, bem como métodos mais rápidos para a identificação de alguns biomarcadores e em terapias mais avançadas”, finaliza Drª Marilda.

Fonte: bnews.com.br

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