Crianças usadas

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Há um antigo ditado que, para alertar as pessoas contra possíveis maus indivíduos, diz: “Se conhece o viajor pelo arriar das malas”. Relembro para refletirmos sobre o episódio que, na tarde desse domingo, 17, fervilhou nas redes sociais. O empresário, Alexandre Correa, ex-marido de Ana Hickmann, compartilhou um vídeo nas redes sociais, em que seu filho de 10 anos com a apresentadora, nega que o pai tenha agredido a mãe. O empresário é réu por violência doméstica contra a ex-modelo. Ora, ora não se trata aqui de questionar a agressão ou não, cabem as investigações, mas o que um pai fez para se defender, usando o próprio filho que a idade já evidencia que frequenta escola, tem amigos…e é exposto desta maneira. Claramente o objetivo não é de defesa, mas de se vingar. Ainda que fosse verdade o que tenha dito a criança, (foi rebatido em nota pela apresentadora, que afirmou a criança ter sido retirada do local, no momento da discussão do casal) um pai consciencioso de que aquela criança já está com o seu futuro emocional possivelmente comprometido, no campo das relações afetivas, por tanta exposição, mas nada disso interessou, só a sua autopreservação judicial.

É fato que diversos estudos indicam que a participação efetiva da família é muito importante no desenvolvimento da criança e a interação entre pais, mães e filhos são fatores determinantes para o desenvolvimento cognitivo e social, influenciando na aprendizagem e na conexão da criança com a comunidade na qual está inserida, bem como na possível repetição de modelos apreendidos no seio doméstico. Os pais (pais e mães) precisam entender que a criança não tem nada a ver com as suas brigas e possíveis separações. As crianças em formação do seu conteúdo de sentir, não conseguem , em geral, racionalizar, ponderar…elas vão repetir, inexoravelmente, modelos.  Armar uma criança contra o outro cônjuge, ainda que sejam com verdades, é, no mínimo, inconsequente diante de uma psiquê em formação.

Existem comportamentos adultos que ajudam a criança a construir sua própria personalidade e comportamentos que fazem com que a criança absorva a personalidade do adulto, em vez de formar a sua, e levam a uma substituição da personalidade, nas palavras da médica italiana Maria Montessori, estudiosa do processo educacional das crianças. É de ser lamentar bastante, quando casais em processo de separação, escudam-se, escondem-se também atrás de filhos, que perplexos não conseguem elaborar o conflito, mas guardam a tristeza, a angústia que sentiu.

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