Profissionais que atuam na escala 6×1 – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Profissionais que atuam na escala 6×1, com jornada de 44 horas semanais, recebem, em média, 57,7% menos do que aqueles que trabalham 40 horas por semana.
De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), trabalhadores com jornada de 40 horas, em regime 5×2, têm renda média de R$ 6.211. Já aqueles que cumprem 44 horas semanais recebem, em média, R$ 2.626,05, o equivalente a 42,3% desse valor.
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Quando o pagamento é feito por hora, a diferença é ainda maior: a remuneração média cai para R$ 2.391,24, cerca de 38,5% do rendimento dos trabalhadores com jornada menor.
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O estudo aponta que a principal razão para a desigualdade salarial está relacionada ao nível de escolaridade. Cerca de 83% dos trabalhadores com jornada de 44 horas têm, no máximo, ensino médio completo. Entre os profissionais com ensino superior, esse percentual cai para 53%.
Fim da escala 6×1 pode mudar cenário?
O possível fim da escala 6×1 está em debate no Congresso Nacional e pode impactar a jornada de trabalho no país. Segundo o estudo, jornadas mais longas estão diretamente associadas a menor nível de escolaridade, diferentemente de fatores como região ou local de residência.
Essas jornadas são mais comuns em setores que exigem menor qualificação, como indústria, agropecuária e comércio. Já cargos técnicos e funções que demandam ensino superior tendem a ter jornadas reduzidas.
Ainda de acordo com o Ipea, a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais elevaria o custo da mão de obra em cerca de 7,84%. Em um cenário de adoção da escala 4×3, com 36 horas semanais, o aumento poderia chegar a 17,57%.
Redução de desigualdades
Apesar disso, o estudo indica que esse impacto poderia ser absorvido pela economia, de forma semelhante ao que ocorreu com a política de valorização do salário mínimo.
Para Felipe Pateo, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e um dos autores do estudo, a mudança pode contribuir para reduzir desigualdades no mercado de trabalho formal.
“Demonstramos que a diminuição da jornada reduziria desigualdades no mercado de trabalho formal, uma vez que jornadas estendidas estão mais presentes em ocupações de baixa remuneração e maior rotatividade”, afirmou.
Fonte: A Tarde









