O plano de saúde ficou mais caro Crédito: Pixabay/Pexels
Os brasileiros que possuem planos de saúde individuais e familiares terão um reajuste menor neste ano. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou nesta sexta-feira (29) que o aumento anual máximo autorizado para esses contratos será de 5,11%. O índice é o mais baixo aprovado pela agência desde 2021, período em que houve redução nas mensalidades por causa dos impactos provocados pela pandemia de Covid-19.
A decisão alcança aproximadamente 7,7 milhões de usuários, o que representa 14,5% dos beneficiários de planos médicos no Brasil. O percentual será aplicado aos contratos individuais e familiares assinados a partir de janeiro de 1999 ou adaptados às regras da Lei dos Planos de Saúde.
Mesmo com o reajuste menor, os custos do setor continuam em alta. Informações divulgadas pela própria ANS apontam que as despesas assistenciais por beneficiário cresceram 8,32% em 2025 na comparação com o ano anterior. De acordo com a agência, esse avanço está ligado ao aumento dos preços de serviços e materiais médicos, além das mudanças no perfil dos pacientes e da inclusão de novos procedimentos obrigatórios na cobertura dos planos.
O teto de 5,11% vale exclusivamente para planos individuais e familiares, contratados diretamente pelos consumidores junto às operadoras. A regra não inclui planos coletivos empresariais, oferecidos pelas empresas aos funcionários, nem contratos coletivos por adesão, feitos por meio de associações ou entidades de classe. Nessas modalidades, os reajustes são negociados diretamente entre as partes, sem limite definido pela ANS.
A agência também destaca que os contratos individuais representam uma fatia cada vez menor do mercado de saúde suplementar. Atualmente, a maior parte dos usuários está vinculada a planos coletivos.
Segundo a ANS, o percentual autorizado não segue apenas a inflação nem reproduz automaticamente o aumento das despesas das operadoras. Desde 2019, o cálculo considera uma metodologia que reúne a evolução dos custos assistenciais e a inflação oficial do país. Também entram na conta fatores como frequência de consultas, exames, internações e tratamentos utilizados pelos beneficiários.
Ainda conforme a agência, o modelo busca impedir a transferência automática dos custos para os consumidores e levar em consideração ganhos de eficiência obtidos pelas operadoras. Ao divulgar o índice, o diretor-presidente da ANS, Wadih Damous, afirmou que a definição do reajuste tenta equilibrar a sustentabilidade financeira do setor com a capacidade de pagamento das famílias.
A cobrança do novo percentual não será imediata para todos os contratos. O reajuste só pode ser aplicado no mês de aniversário do plano, correspondente ao período em que o contrato foi firmado.
Nos casos de contratos com aniversário em maio e junho, a cobrança poderá começar em julho ou, no máximo, em agosto, com retroação ao mês de aniversário. Após o anúncio, os consumidores devem conferir se o reajuste aplicado pela operadora respeita o limite de 5,11% e se a cobrança foi feita dentro das regras determinadas pela agência.
A ANS afirma que a pressão sobre os custos da saúde suplementar continua sendo influenciada pelo encarecimento de serviços e equipamentos médicos, pelo aumento do uso dos planos e pelo envelhecimento da população, que demanda mais consultas, exames e tratamentos. A ampliação do rol de procedimentos e tecnologias de cobertura obrigatória também contribui para a elevação das despesas do setor.
Fonte: Jornal Correio









