El Niño pode provocar até 22 tempestades e furacões intensos; entenda

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O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial – Foto: Reprodução | Pixabay

A influência do El Niño pode tornar a temporada de ciclones tropicais de 2026 mais intensa que o normal no Pacífico Oriental e Central. A projeção é da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que prevê a formação de até 22 tempestades nomeadas ao longo do período.

Segundo a agência norte-americana, entre 9 e 14 dessas tempestades podem se transformar em furacões. Deste total, de 5 a 9 sistemas têm potencial para alcançar as categorias 3, 4 ou 5 da escala Saffir-Simpson, consideradas as mais destrutivas.

A expectativa está diretamente relacionada ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico provocado pelo El Niño, fenômeno climático que altera padrões atmosféricos em diversas regiões do planeta.

Como o El Niño favorece a formação de furacões

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Esse aumento da temperatura interfere na circulação atmosférica e cria condições mais favoráveis para o desenvolvimento de ciclones tropicais.

Entre os principais efeitos está a redução do cisalhamento do vento, fenômeno que ocorre quando há diferença na velocidade e direção dos ventos em diferentes altitudes da atmosfera. Com menos interferência dos ventos, as tempestades conseguem se organizar melhor e ganhar intensidade com mais facilidade.

Além disso, as águas mais quentes funcionam como combustível para os sistemas tropicais, fornecendo energia necessária para que eles se desenvolvam e atinjam níveis mais elevados de intensidade.

No Oceano Atlântico, porém, o impacto costuma ser o oposto. Durante episódios de El Niño, o aumento do cisalhamento do vento geralmente dificulta a formação de furacões na região.

O que é preciso para um ciclone se transformar em furacão

A formação de ciclones tropicais depende de uma combinação de fatores atmosféricos e oceânicos.

Entre as condições consideradas essenciais estão:

  • Temperatura do mar igual ou superior a 26,5°C;
  • Elevada umidade na atmosfera;
  • Baixo cisalhamento do vento;
  • Condições favoráveis de circulação em altitude.

O desenvolvimento desses sistemas ocorre em diferentes estágios. Inicialmente surge uma depressão tropical. Quando os ventos atingem pelo menos 63 km/h, o sistema passa a ser classificado como tempestade tropical e recebe um nome oficial.

Caso os ventos sustentados ultrapassem 119 km/h, o fenômeno passa a ser considerado um furacão.

Aquecimento global aumenta preocupação

Especialistas também associam o fortalecimento dos ciclones tropicais às mudanças climáticas observadas nas últimas décadas.

Estudos da NOAA apontam aumento da proporção de furacões das categorias 4 e 5, as mais perigosas da escala. Além disso, meteorologistas têm registrado um crescimento dos episódios de intensificação rápida.

Esse fenômeno ocorre quando uma tempestade ganha força de forma acelerada em poucas horas ou dias, tornando mais difícil a emissão de alertas e a preparação das áreas afetadas.

Pesquisas indicam que a probabilidade de um ciclone evoluir para um grande furacão aumentou significativamente desde o final da década de 1970.

Ventos não são o único perigo

Embora os ventos extremos sejam a característica mais conhecida dos furacões, especialistas alertam que os maiores danos frequentemente estão associados a outros efeitos provocados pelos sistemas.

Entre os principais riscos estão:

  • Marés de tempestade;
  • Chuvas torrenciais;
  • Enchentes repentinas;
  • Deslizamentos de terra;
  • Danos à infraestrutura urbana.

Com a possibilidade de uma temporada mais ativa em 2026, autoridades e centros meteorológicos seguem monitorando as condições oceânicas e atmosféricas para acompanhar a evolução do El Niño e seus possíveis impactos em diferentes regiões do planeta.

Fonte: A Tarde

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