Síndrome do coração partido: por que emoções fortes durante a Copa merecem atenção

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Torcida em Manaus comemora vitória do Brasil em 2022 Crédito: Antonio Pereira/Semcom

Durante a Copa do Mundo, a tensão provocada por gols, decisões e disputas acirradas mobiliza não apenas a torcida, mas também o organismo. Em momentos de grande emoção, o corpo libera hormônios como adrenalina e cortisol, que aceleram os batimentos cardíacos e elevam a pressão arterial. Para algumas pessoas, especialmente aquelas com fatores de risco, essas alterações podem representar um perigo real à saúde.

“O que pesa para o coração não é se a emoção é positiva ou negativa, mas a intensidade dela”, afirma o coordenador da cardiologia do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), Hugo Pazianotto. Um estudo publicado no New England Journal of Medicine durante a Copa de 2006 mostrou que, nos dias de jogos da seleção alemã, o número de emergências cardiovasculares chegou a ser três vezes maior.

Multidão colorida vibra com a partida na TV. por Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Em casos mais raros, situações de estresse intenso podem desencadear a cardiomiopatia de Takotsubo, popularmente chamada de síndrome do coração partido. A condição afeta temporariamente a capacidade de bombeamento do coração e costuma surgir após episódios de forte impacto emocional.

Para quem já possui alguma doença cardiovascular, os especialistas recomendam atenção redobrada durante o torneio. “É fundamental manter o tratamento em dia, não interromper medicamentos, garantir uma boa hidratação e evitar excessos, especialmente de álcool”, orienta Pazianotto. “Assistir às partidas em locais confortáveis e protegidos do calor também ajuda a evitar sobrecarga ao organismo”, completa o especialista.

O álcool, aliás, merece cuidado especial. De acordo com Pazianotto, o consumo exagerado pode favorecer a desidratação, aumentar a pressão arterial e elevar o risco de arritmias cardíacas. Há ainda a chamada “Holiday Heart Syndrome”, quadro em que pessoas sem histórico prévio de doença cardíaca desenvolvem alterações no ritmo do coração após episódios de ingestão excessiva de bebida alcoólica. Outro problema é que o álcool pode mascarar sintomas importantes e retardar a busca por atendimento médico.

Além dos riscos cardiovasculares, o período de Copa costuma registrar aumento no número de acidentes e lesões. Segundo o coordenador da ortopedia do Vera Cruz Hospital, José Zabeu, queimaduras provocadas por fogos de artifício e cortes causados por objetos de vidro estão entre os casos mais frequentes durante as comemorações.

Nas partidas improvisadas entre amigos, também crescem os casos de entorses, contusões musculares e até rupturas do tendão de Aquiles. “Muitas pessoas não mantêm uma rotina regular de atividade física, mas acabam se empolgando durante o campeonato e exigem do corpo além do que ele consegue suportar”, explica o especialista.

Para reduzir os riscos, a orientação é respeitar os próprios limites físicos. Realizar um aquecimento adequado antes das partidas e evitar esforços excessivos são medidas simples que ajudam a prevenir lesões.

Os especialistas também alertam para sinais que exigem avaliação médica imediata, como dor no peito, falta de ar, palpitações, tontura ou dores intensas após atividade física acompanhadas de inchaço e dificuldade para caminhar.

Hábitos comuns durante os jogos, como permanecer longos períodos sentado, exagerar na alimentação e consumir álcool em excesso, também podem comprometer a saúde ao longo do torneio. Pequenas mudanças de comportamento, como caminhar durante os intervalos das partidas, levantar-se regularmente e optar por refeições mais leves, ajudam a minimizar esses impactos e tornam a experiência da Copa mais segura.

Fonte: Jornal Correio

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