Dorme bem, mas acorda cansado? Especialistas explicam o que pode estar acontecendo

0
1

Dorme bem, mas acorda cansado? Especialistas explicam o que pode estar acontecendo Crédito: Reprodução | Freepik

Dormir oito horas por noite nem sempre é sinônimo de descanso de qualidade. Para milhões de brasileiros que acordam cansados, com dores no pescoço, nos ombros ou na coluna, o problema pode estar em um item frequentemente ignorado na rotina: o travesseiro. Dados da Academia Brasileira do Sono (ABS) apontam que cerca de 73 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de distúrbio do sono. 

Embora fatores como estresse, uso excessivo de telas e hábitos inadequados sejam frequentemente apontados como vilões, especialistas alertam que o ambiente de descanso também exerce papel decisivo na qualidade do sono. Entre os itens que merecem atenção, o travesseiro aparece como um dos mais negligenciados. Enquanto a escolha do colchão costuma envolver pesquisa e comparação, muitas pessoas compram travesseiros apenas com base na sensação imediata de conforto, sem considerar aspectos que podem influenciar diretamente a saúde e o descanso.

“O travesseiro tem a função de manter a cabeça, o pescoço e a coluna cervical alinhados durante toda a noite. Quando esse suporte não é adequado, o corpo precisa compensar a posição incorreta, gerando tensão muscular, desconforto e até dores persistentes”, explica a diretora-executiva do Instituto Nacional de Estudos do Repouso (Iner), Cleriane Lopes Denipoti.

Segundo os especialistas, não existe um modelo ideal para todas as pessoas. A escolha depende de fatores como peso, biotipo, formato dos ombros, posição predominante ao dormir e necessidades específicas de suporte cervical. Quem dorme de lado, por exemplo, geralmente precisa de travesseiros mais altos para preencher corretamente o espaço entre a cabeça e os ombros. Já quem costuma dormir de barriga para cima tende a se adaptar melhor a modelos de altura intermediária, capazes de manter o alinhamento natural da coluna.

Para o especialista em Avaliação da Conformidade de Produtos do Iner, Guilherme Nunes Costa Quadri, o travesseiro deve ser visto como um equipamento de suporte ergonômico e não apenas como um acessório de conforto. “Quando falamos em qualidade do sono, é importante entender que o travesseiro exerce um papel técnico fundamental. Ele precisa manter o alinhamento da coluna cervical, distribuir adequadamente a pressão e oferecer estabilidade ao longo da noite. Um produto inadequado pode comprometer o descanso mesmo quando o colchão é de boa qualidade”, afirma.

O especialista destaca que características como altura, firmeza, resistência e comportamento da espuma sob o peso da cabeça influenciam diretamente a sustentação da região cervical. Quando esses fatores não estão equilibrados, o corpo tende a compensar a postura de forma involuntária, favorecendo dores musculares e dificultando a recuperação física durante o sono.

Além da escolha correta, os especialistas alertam para outro cuidado frequentemente esquecido: a substituição periódica do travesseiro. Com o passar do tempo, os materiais perdem a capacidade de sustentação e podem acumular poeira, umidade e ácaros, prejudicando tanto o conforto quanto a saúde respiratória.

Para ajudar os consumidores, o Instituto Nacional de Estudos do Repouso inclui travesseiros no programa de certificação voluntária Pró-Espuma, que avalia critérios como qualidade dos materiais, desempenho, durabilidade e resistência ao uso contínuo. “O consumidor percebe o conforto logo no primeiro contato, mas dificilmente consegue avaliar sozinho aspectos como durabilidade e desempenho após meses de uso. A certificação ajuda justamente a oferecer mais segurança e confiança na escolha”, explica Quadri.

Para os especialistas, investir em um travesseiro adequado pode representar muito mais do que uma simples troca de acessório. A escolha correta contribui para o alinhamento postural, reduz desconfortos musculares e cria condições mais favoráveis para um sono realmente restaurador. Em um país onde milhões de pessoas enfrentam dificuldades para dormir, a solução para acordar melhor pode estar mais perto — e mais embaixo da cabeça — do que muita gente imagina.

Fonte: Jornal Correio

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here