2 de Julho x 7 de Setembro: entenda diferença entre as duas datas

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Cortejo 2 de Julho em Salvador – Foto: Alberto Maraux

Embora o Brasil comemore oficialmente a sua Independência em 7 de Setembro, a Bahia reserva uma data própria para celebrar esse processo: o 2 de Julho.

É nesse dia que os baianos lembram a expulsão definitiva das tropas portuguesas de Salvador, em 1823, episódio que consolidou a independência do país no estado.

A Independência proclamada por Dom Pedro I às margens do Rio Ipiranga, em 7 de setembro de 1822, não foi imediatamente reconhecida por Portugal, que manteve forte presença militar na Bahia, principal reduto das tropas portuguesas no Brasil.

O quadro 'Independência ou Morte', de Pedro Américo
O quadro ‘Independência ou Morte’, de Pedro Américo – Foto: Reprodução

Esse impasse deu origem à Guerra da Independência na Bahia, conflito que durou cerca de um ano e cinco meses e terminou apenas em 2 de julho de 1823, com a retirada definitiva das tropas portuguesas de Salvador.

Guerra da Independência na Bahia
Guerra da Independência na Bahia – Foto: Reprodução

Independência do Brasil: qual a diferença entre o 2 de Julho e o 7 de Setembro?

Para entender por que a Bahia mantém uma celebração própria e o que, de fato, diferencia o 2 de Julho do 7 de Setembro, o portal A TARDE conversou com o historiador Rafael Dantas.

Segundo o historiador, a principal diferença entre as datas cívicas é que o 7 de Setembro foi um ato político e diplomático da elite, que ocorreu em São Paulo e não contou com a participação direta da população nas decisões, enquanto o 2 de Julho foi uma vitória militar com intensa participação popular.

O 7 de Setembro foi um movimento orquestrado pelas elites. Já o 2 de Julho, embora também tenha sido organizado pelas elites políticas e econômicas locais, contou com uma forte participação de diferentes camadas populares e de instituições baianasRafael Dantas – Historiador

Rafael disse ainda que, apesar de a expulsão das tropas portuguesas ter ocorrido em Salvador, o conflito teve forte protagonismo nas cidades do Recôncavo baiano.

“As batalhas não aconteceram apenas em Salvador, mas principalmente no Recôncavo baiano. Esse foi um processo inserido em um contexto regional, em sintonia com outras províncias, devido à posição estratégica que a Bahia ocupava naquele momento”, explicou.

A guerra mobilizou soldados, voluntários e milhares de civis. Entre eles estavam mulheres como Maria Quitéria e Joana Angélica, além de negros, indígenas e sertanejos, que participaram dos combates e das ações de apoio às tropas brasileiras.

Independência do Brasil: 7 de Setembro x 2 Julho – continuação de um processo histórico

As diferenças entre as duas datas não significam que elas representem processos distintos. Na avaliação do historiador, o 7 de Setembro e o 2 de Julho fazem parte de uma mesma trajetória que levou à Independência do Brasil.

“O 7 de Setembro foi um ato de Dom Pedro I, com articulação de José Bonifácio, que marcou a ruptura com os portugueses. O 2 de Julho, por sua vez, representou a conquista dessa ruptura. Foi a efetivação do rompimento com Portugal e um passo decisivo para a consolidação da Independência do Brasil”, disse o historiador.

Sem o 7 de Setembro, a luta na Bahia seria uma revolta regional sem um projeto de país. Sem o 2 de Julho, o grito de Independência de Dom Pedro I seria apenas um protesto político sem força real, correndo o risco de ser derrotado pelo exército português.

Salvador vira capital do Brasil no 2 de Julho

Durante décadas, o 2 de Julho recebeu menos destaque que o 7 de Setembro nos livros de história. Na avaliação de Rafael Dantas, esse cenário começou a mudar.

Como exemplo, ele citou a aprovação da lei que transfere simbolicamente a sede do governo federal para Salvador todos os anos no dia 2 de julho.

“Hoje, o 2 de Julho ganhou mais protagonismo e visibilidade. A data conquistou o reconhecimento que lhe é devido em todo o país e a transferência simbólica da capital do Brasil para Salvador durante as comemorações é um exemplo disso”, concluiu.

Fonte: A Tarde

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