Polícia da Espanha transfere migrantes das praias de Ceuta para abrigo temporário no porto

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Imigrantes esperando para serem escoltados pela polícia até alojamento temporário no porto de Ceuta — Foto: REUTERS/Anna Surinyach

A polícia da Espanha iniciou, nesta sexta-feira (18), a transferência de imigrantes instalados precariamente nas praias de Ceuta para barracas temporárias em um alojamento montado no porto do enclave espanhol no norte da África, informou a delegação do governo.

O novo centro de acolhimento temporário tem capacidade para 1.700 imigrantes. Imagens exibidas pela emissora estatal espanhola TVE mostram que a polícia precisou atuar para conter aglomerações de pessoas que queriam garantir um lugar no local.

Os migrantes que passaram a noite na praia à espera de um lugar num abrigo temporário aplaudiram inicialmente o início da marcha, mas mais tarde surgiram confrontos devido à disputa pelas vagas limitadas disponíveis.

A polícia disparou balas de borracha para o ar e atingiu vários migrantes com cassetetes antes que a situação se acalmasse e a operação fosse retomada.

Há uma semana, mais de 800 pessoas já haviam sido levadas para outro alojamento improvisado, Los Rosales, próximo ao centro de acolhimento local, e também houve tumulto (veja abaixo).

Polícia controlando transferência de imigrantes que estavam dormindo nas ruas de Ceuta para alojamento temporário — Foto: REUTERS/Ana Beltran

Polícia controlando transferência de imigrantes que estavam dormindo nas ruas de Ceuta para alojamento temporário — Foto: REUTERS/Ana Beltran

O translado dos imigrantes para o novo alojamento no porto começou algumas horas após um tribunal rejeitar o pedido de um sindicato policial para interrompê-lo.

A autoridade portuária de Ceuta também se recusou a cumprir a decisão de transferência e o governo do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez – muito criticado pela direita e pela extrema direita por esta crise – decidiu tirar o controle da instalação da administração regional de Ceuta, que é governada pelo partido de oposição.

Os imigrantes que estão sendo acolhidos nas barracas temporárias montadas pelo governo espanhol fazem parte das mais de 70 mil pessoas que chegaram a Ceuta em uma imensa migração em massa no fim de julho.

Ainda se desconhece quantas pessoas ainda permanecem nas praias da cidade, mas as autoridades acreditam que o número é superior às vagas oferecidas na nova estrutura do porto, onde os migrantes terão acesso a “chuveiros, banheiros, alimentação e camas novas”, segundo o governo.

Imigrantes estão precariamente instalados em barracas nas praias de Ceuta — Foto: Antonio Sempere / AFP

Imigrantes estão precariamente instalados em barracas nas praias de Ceuta — Foto: Antonio Sempere / AFP

Embora a maioria das pessoas que entrou em Ceuta no fim de julho tenha retornado quase imediatamente ao Marrocos, autoridades locais calculam que 13 mil imigrantes permanecem em Ceuta.

O governo central da Espanha, no entanto, cita um número menor, em torno de 5 mil pessoas. No domingo (13), um ministro afirmou que, no último mês, mais 5.300 migrantes retornaram ao país vizinho ao enclave.

Ceuta, que é um território espanhol no norte africano, tem apenas 18,5 km² e cerca de 80 mil habitantes. A população local exige um retorno à normalidade e manifestações ocorrem quase diariamente.

O governo central busca agilizar a devolução dos migrantes, mas, segundo a legislação, deve identificar cada um para determinar se a pessoa tem direito a asilo ou pode ser devolvida, enquanto milhares de menores de idade devem receber proteção especial.

Grandes tendas montadas em um novo acampamento para migrantes, estabelecido pelo governo espanhol na área portuária de Ceuta — Foto: Antonio Sempere / AFP

Grandes tendas montadas em um novo acampamento para migrantes, estabelecido pelo governo espanhol na área portuária de Ceuta — Foto: Antonio Sempere / AFP

Fonte: Portal G1 Mundo

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