Calor extremo já teria provocado 484,5 mil mortes adicionais entre junho e setembro deste ano – Foto: AFP
O Super El Niño pode provocar cerca de 857,4 mil mortes adicionais relacionadas ao calor em todo o mundo até março, segundo uma projeção do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, publicada pelo site The Independent.
O Brasil aparece entre os países mais afetados, com uma estimativa de 26,7 mil óbitos adicionais no período, dos quais 19,5 mil poderiam ocorrer nos próximos seis meses.
O monitor El Niño Heat Mortality Tracker, desenvolvido por pesquisadores da instituição americana, indica que o calor extremo já teria provocado 484,5 mil mortes adicionais entre junho e setembro deste ano.
A previsão é de mais 372,9 mil óbitos até março, em um intervalo de dez meses.
Entre os países com as maiores estimativas para todo o período estão:
- Índia, com 160 mil mortes adicionais;
- China, com 85,4 mil;
- Nigéria, com 69,7 mil.
De acordo com a projeção, a Nigéria deve concentrar o maior número de mortes nos próximos seis meses, com 56,1 mil, seguida pela Índia, com 55,2 mil.
A Indonésia também aparece entre os países sob maior risco, com previsão de 29,3 mil mortes adicionais no próximo semestre.
Somadas, as estimativas para China, Índia e Nigéria representam mais de um terço do total projetado para o mundo.
Países com as maiores previsões de número de mortes (junho a março):
- Índia: 160 mil (incluindo 55.200 nos próximos seis meses)
- China: 85.400 (incluindo -240 nos próximos seis meses)
- Nigéria: 69.700 (incluindo 56.100 nos próximos seis meses)
- Sudão: 53.200 (incluindo 14.700 nos próximos seis meses)
- Indonésia: 49.500 (incluindo 29.300 nos próximos seis meses)
- Brasil: 26.700 (incluindo 19.500 nos próximos seis meses)
- República Democrática do Congo: 24.700 (incluindo 11.300 nos próximos seis meses)
- Bangladesh: 18.400 (incluindo 6.700 nos próximos seis meses)
- Vietnã: 18.100 (incluindo 8.300 nos próximos seis meses)
- Chade: 17 mil (incluindo 17.300 nos próximos seis meses)
Como o El Niño afeta o clima
O fenômeno climático ocorre quando a temperatura média da superfície do mar na região central e tropical do Oceano Pacífico fica significativamente acima da média histórica.
Segundo a definição apresentada no estudo, o fenômeno é caracterizado por uma elevação de 2°C ou mais.
Os efeitos variam conforme a região. O fenômeno pode favorecer condições mais úmidas e tempestades em partes dos Estados Unidos, da América do Sul e da Europa, enquanto áreas como Austrália, Indonésia e Sul da Ásia podem enfrentar períodos prolongados de estiagem e secas severas.
Na Indonésia, incêndios florestais intensificados por condições associadas ao El Niño podem piorar a qualidade do ar e elevar os problemas respiratórios.
O aquecimento das águas do Pacífico também contribui para a liberação de calor do oceano para a atmosfera, elevando as temperaturas globais.
Previsões foram revisadas após ondas de calor
A estimativa de mortes aumentou em relação a um relatório divulgado em setembro de 2026. Conforme o Climate Impact Lab, as temperaturas de agosto e setembro ficaram acima do previsto.
O laboratório informou que agosto foi o mais quente já registrado para o mês, enquanto setembro foi o segundo mais quente.
As projeções consideram o número de mortes adicionais em comparação com a média do período de referência de 1996 a 2005. Devido a isso, alguns países podem apresentar valores negativos, indicando uma estimativa de mortes abaixo daquela registrada na linha de base.
Mudanças climáticas podem intensificar o El Niño
Embora o El Niño influencie as condições meteorológicas em diferentes partes do planeta, especialistas destacam que as temperaturas recordes registradas recentemente também estão relacionadas às mudanças climáticas e ao aquecimento global.
Os episódios de El Niño ocorrem de forma irregular, geralmente a cada dois a sete anos. Os chamados Super El Niños, considerados mais intensos, são menos frequentes, com intervalos estimados de dez a 15 anos.
Fonte: A Tarde









