Imagem: Envato
Entre as quase 30 mil empresas brasileiras exportadoras no fim de 2025, número recorde, destacou-se a participação de microempresas (MEs) e microempreendedores individuais (MEIs), segundo balanço do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). De 2015 a 2025, o número passou de 2,6 mil para 6,2 mil MEs/MEIs, crescimento de 138,5%, elevando a participação desses segmentos de 13% para 20,7%. As empresas de pequeno porte (EPPs) somam 5,7 mil, ante 3,4 mil em 2015. No total, o número de exportadoras chegou a 29,8 mil, alta de 49,7% em dez anos (eram 19,9 mil em 2015).
Os dados fazem parte do Relatório Anual de Comércio Exterior por Porte de Empresas, divulgado pelo ministério. As importadoras cresceram 51,8% em relação a 2015 e agora somam 61,1 mil, o dobro das exportadoras.
Em valores, no entanto, microempresas e MEIs ainda têm um longo caminho a percorrer. A participação passou de 0,2% em 2015 para 0,3% no ano passado, o equivalente a US$ 870,8 milhões, alta de 169% desde 2015, embora com queda nos três últimos anos.
As EPPs somam US$ 1,8 bilhão em exportações, avanço de 141,7%, com 0,5% do total, ante 0,4% em 2015. Já as médias e grandes exportaram US$ 320,9 bilhões, alta de 81,6%, e concentram 92,1% do total, contra 94,6% dez anos antes. Empresas não mercantis, com informações incompletas segundo o MDIC, somam US$ 24,7 bilhões, ou 7,1% do total, ante 4,8%. As médias e grandes reúnem 17,8 mil empresas, 29% a mais em dez anos.
A indústria de transformação predomina entre as empresas exportadoras, independentemente do porte. Entre as 6,2 mil microempresas e MEIs, 82,4% estão nesse setor, enquanto 6,6% atuam na agropecuária e 4,3% na indústria extrativa; os demais 6,7% se distribuem em outros segmentos. Entre as 5,7 mil EPPs, 82,8% estão na indústria de transformação, 6,9% na agropecuária e 4,1% na extrativa. Já entre as 17,8 mil médias e grandes, as participações são de 79,9%, 7,1% e 4,4%, respectivamente.
De 2024 para 2025, surgiram 971 novas empresas exportadoras, das quais 592 são médias e grandes, ou 59,6% do total. No grupo que reúne MEs, MEIs e EPPs, foram 390 novas exportadoras, sendo 242 microempresas.
Entre as 61,1 mil empresas importadoras, a distribuição por porte é mais equilibrada: 48,4% são médias e grandes, 26,2% são MEs e MEIs e 23,9%, EPPs (além de 1,5% não mercantis). As MEs e MEIs eram 15% em 2015 e as EPPs, 21,7%.
Brasil X EUA
No primeiro bimestre, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 4,9 bilhões, queda de 23,2%, segundo o Monitor do Comércio Brasil–EUA, da Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil). É o menor valor para o período desde 2023.
De acordo com o relatório, o resultado de fevereiro foi influenciado pela queda nas vendas de petróleo bruto, de 80,7%, e de combustíveis derivados de petróleo, de 42,2%, ambos isentos de sobretaxas e com peso relevante na pauta exportadora brasileira para o mercado americano. O café, também isento, registrou recuo de 40%. Com isso, o déficit brasileiro chegou a US$ 900 milhões, alta de 142,3%.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos em fevereiro (US$ 2,5 bilhões) caíram 20,3% em relação a igual mês de 2025, segundo a Amcham Brasil. Foi o sétimo mês seguido de retração, desde o chamado tarifaço norte-americano. A queda foi menos relavante do que em meses anteriores, mas “indica um início de ano marcado por pressões relevantes sobre o comércio bilateral”.
A entidade lembra que as mudanças anunciadas no final do mês passado – fim das sobretaxas de 40% e 50% e nova sobretaxa global de 10% ainda não se refletem nos dados estatísticos: “Seus efeitos deverão começar a aparecer no fluxo comercial a partir de março”.
“Os dados de fevereiro ainda não capturam os efeitos da redução das sobretaxas decorrente da decisão da Suprema Corte”, afirmou o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto.
“É fundamental que os governos dos dois países avancem em entendimentos para evitar novas restrições comerciais.” Especialmente no âmbito da investigação da Seção 301, acrescentou, referindo-se a dispositivo da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
Com informações de Agência Dc News.
Fonte: Mercado&Consumo









