Vendas de moda no outono-inverno devem ter crescimento nominal de 4,2%, prevê IEMI

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Imagem: Freepik

As vendas do varejo de moda na coleção outono-inverno de 2026 devem registrar crescimento de até 1% em volume de peças na comparação com a mesma temporada de 2025, segundo projeção da consultoria IEMI – Inteligência de Mercado.

Em valores nominais, o avanço esperado é de aproximadamente 4,2% sobre a temporada passada, resultado que ainda não deve ser suficiente para compensar a inflação do período.

O desempenho considera um ambiente econômico desafiador e o elevado endividamento das famílias (em 81%). Segundo Marcelo Prado, diretor do IEMI, as condições climáticas favoreceram a coleção durante boa parte da estação.

A expectativa é que os varejistas encerrem a temporada com estoques em níveis razoáveis e sem grandes sobras. O cenário deve permitir liquidações mais controladas e pontuais, na avaliação do executivo, embora as promoções possam ganhar força na semana posterior ao Dia dos Pais, quando as lojas aceleram a troca das coleções.

Ainda assim, o resultado dos estoques varia conforme a empresa e a região.

El Niño aumenta imprevisibilidade para o varejo de moda

Marcelo Prado explicou que o El Niño atua de forma diferente conforme a região, com chuvas e frentes frias em alguns locais, além de seca e calor fora de época em outros.

“Funciona mais como um ‘perturbador’ do clima do que como um impulsionador das estações”, disse Prado.

Segundo ele, eventos extremos podem atrapalhar o fluxo do varejo, a logística e o abastecimento em diferentes regiões.

“O El Niño não ajuda, apenas atrapalha as operações em determinados momentos e locais”, afirmou.

Diante dessa imprevisibilidade, as varejistas vêm priorizando produtos de meia estação e peças que possam ser comercializadas em diferentes condições de temperatura.

“As empresas estão trabalhando com mais cautela na formação de estoques”, afirmou Edmundo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX).

Entre as apostas estão tricôs leves, jaquetas, moletons e sobreposições, que podem atender tanto aos dias mais amenos quanto aos períodos de frio mais intenso.

Além do clima, custos da cadeia, pressão sobre margens e concorrência com plataformas internacionais de comércio eletrônico continuam influenciando as estratégias das empresas.

Segundo a ABVTEX, o setor busca manter preços acessíveis e estimular as vendas por meio de negociações mais equilibradas ao longo da cadeia produtiva.

Perspectiva para a próxima coleção

Para o ciclo seguinte, o IEMI projeta desempenho mais favorável. A estimativa é de crescimento de 3,7% em volume de peças e de 6,9% em valores nominais no período de setembro a dezembro de 2026, na comparação com os mesmos meses de 2025.

Embora o levantamento trate esse intervalo como parte da coleção primavera-verão, o recorte considera apenas os meses de setembro a dezembro de 2026 e, portanto, corresponde à etapa inicial da temporada primavera-verão 2026/2027.

Segundo Prado, a projeção se apoia principalmente na base fraca de comparação, já que as vendas entre setembro e dezembro de 2025 ficaram abaixo do histórico do setor.

Segundo a ABVTEX, a expectativa para a temporada primavera-verão é moderadamente positiva.

A transição para a próxima coleção pode ser favorecida por estoques mais equilibrados ao fim do inverno. Ainda assim, o clima permanecerá como fator decisivo, exigindo planejamento da cadeia produtiva, gestão eficiente de estoques e capacidade de adaptação das empresas.

Fonte: Mercado&Consumo

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