Consumidores deixam marcas médias e migram para luxo ou preço baixo

0
1

Imagem: Envato

Com o orçamento mais apertado, o brasileiro tem reduzido os gastos com produtos de beleza. No primeiro semestre deste ano, as vendas de beleza premium cresceram 6%, abaixo do ritmo registrado no primeiro trimestre e nos anos anteriores. Nos perfumes, os preços mais altos das fragrâncias tradicionais têm levado parte dos consumidores a questionar o custo-benefício das marcas tradicionais e a buscar marcas de outras origens e com preços mais baixos.

“O consumidor começa a pensar: será que vale a pena? Será que eu não consigo comprar outra coisa, com qualidade, sem pagar tudo aquilo?”, diz Daniel Morimoto, vice-presidente da Circana para a América Latina.

Vendidos por cerca de R$ 200 e conhecidos pela alta fixação, a busca por perfumes árabes cresceu 64% no primeiro semestre, segundo levantamento feito pela própria Circana. O mercado brasileiro já reúne mais de 40 marcas desse segmento, 15 a mais que no ano passado. Norte, Nordeste e Centro-Oeste respondem por 37% das vendas e tiveram crescimento de 86% no período.

Enquanto uma parte do público reduz o valor gasto, a venda de perfumes de luxo vem crescendo no Brasil. A venda de fragrâncias com ticket médio próximo a R$ 1.500 cresceu 35% no primeiro semestre e já representa 9% das vendas do canal.

“Há uma polarização no mercado de beleza. Perfumes de R$ 2 mil a R$ 3 mil vêm crescendo no Brasil. Ao mesmo tempo, quem não consegue acompanhar esses preços também não permanece no meio: acaba fazendo um downgrade e buscando opções mais baratas. Com isso, os dois extremos crescem, enquanto o mercado intermediário perde espaço”, afirma Morimoto.

As fragrâncias lançadas por influenciadores também passaram a ocupar espaço nas prateleiras dos consumidores. Segundo Morimoto, o avanço do #FragranceTok e a presença de criadores de conteúdo masculinos aumentaram a exposição a diferentes fragrâncias, principalmente entre o público masculino.

“As marcas estão tendo dificuldade de conexão com as pessoas e estão investindo em influenciadores para trazer esse público. Só que o influenciador também mudou. Ele deixou de ser apenas um canal para as marcas chegarem ao público e passou a ser, em muitos casos, um concorrente”, explica Morimoto.

Novas marcas e produtos ganham espaço

A mesma tendência é vista no setor de maquiagem, que cresceu 2% no primeiro semestre e responde por aproximadamente um terço das vendas do canal. As marcas de celebridades e influenciadores já concentram 25% das vendas de maquiagem no Brasil.

“Em maquiagem, houve o lançamento de muitas marcas mais acessíveis, normalmente ligadas a blogueiras e influenciadoras. Elas chegam com o respaldo da autoridade dessas pessoas, oferecendo preços mais baixos e, ao mesmo tempo, muito conectadas às tendências. São marcas que lançam produtos muito parecidos com os que as grandes marcas estão colocando no mercado”, diz.

Segundo o estudo, as bases, que respondem por 16% das vendas da categoria, voltaram a crescer em ritmo três vezes superior ao da maquiagem, com procura por produtos de baixa e média cobertura e fórmulas com benefícios hidratantes. O blush também teve desempenho acima da média, com alta de 23% em valor e unidades. O destaque foi o blush em bastão, cujas vendas cresceram 205%.

Em skincare, as vendas cresceram 3% no primeiro semestre, mas as marcas tradicionais de luxo recuaram cerca de 10%. Já as marcas cleanical, que combinam cosméticos limpos e cuidados clínicos, as asiáticas, principalmente coreanas, e as digitais brasileiras cresceram 50% na comparação anual. O comércio eletrônico, que responde por 39% das vendas da categoria, avançou 24%, enquanto as lojas físicas registraram queda em valor e em unidades.

Haircare foi a categoria que mais cresceu no período, com alta de 36% no primeiro semestre, e representa 12% das vendas do canal de prestígio. Além de máscaras, óleos, tônicos e esfoliantes, os consumidores também compraram itens básicos, como condicionadores e acessórios. Equipamentos para cuidados com os cabelos, como air stylers, escovas secadoras e modeladoras, pranchas e modeladores multifuncionais, estão entre os produtos de maior valor, e alguns dos dez mais vendidos chegam perto de R$ 1.800.

Fonte: Mercado&Consumo

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here