Dormir oito horas não garante uma boa noite de sono; especialista explica o motivo Crédito: Reprodução | Freepik
Dormir sete ou oito horas por noite é uma recomendação conhecida por quem busca uma vida mais saudável. Mas cumprir essa meta não significa, necessariamente, acordar descansado. Em muitos casos, o problema não está na quantidade de horas dormidas, mas na qualidade do sono.
Um dos principais responsáveis por esse descanso insuficiente é a apneia obstrutiva do sono, distúrbio caracterizado por interrupções repetidas da respiração durante a noite. Embora seja comum, a doença ainda passa despercebida por grande parte dos pacientes.Um estudo publicado em 2026 no Journal of Sleep Research mostrou que 37,1% da população de São Paulo apresenta apneia obstrutiva do sono.
Em nível mundial, uma pesquisa publicada na revista The Lancet Respiratory Medicine estima que cerca de 1 bilhão de pessoas convivam com o problema.Segundo o otorrinolaringologista Danilo Sguillar, especialista em medicina do sono e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), muitas pessoas acreditam que dormem o suficiente, mas passam a noite com interrupções na respiração e queda da oxigenação, impedindo que o cérebro complete as fases mais importantes do sono.
“O número de horas dormidas é importante, mas não é suficiente para definir um sono saudável. Um paciente com apneia obstrutiva do sono não completa adequadamente as fases de sono profundo e sono REM, essenciais para a recuperação cerebral. Por isso, acorda cansado, indisposto e com sensação de que o sono não foi reparador”, explica.
Dormir demais também pode ser um sinal de alerta
Embora a maioria das pessoas associe problemas apenas à falta de sono, o excesso também merece atenção.Segundo o especialista, adultos devem dormir, em média, entre sete e oito horas por noite. Dormir menos do que isso está associado ao aumento do risco de hipertensão, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, depressão, redução da imunidade e prejuízo da memória.
Já permanecer muitas horas na cama de forma frequente pode indicar que o organismo está tentando compensar um sono de baixa qualidade.”Em pacientes com apneia obstrutiva do sono, dormir mais pode significar justamente que o organismo não conseguiu descansar adequadamente durante a noite”, afirma.
Quando o ronco deixa de ser apenas um incômodo
A apneia acontece quando as vias aéreas se estreitam ou se fecham temporariamente durante o sono, interrompendo a passagem do ar.O ronco intenso costuma ser um dos principais sinais da doença, mas não é o único.
Entre os sintomas que merecem investigação estão:
- ronco frequente e alto;
- pausas na respiração percebidas por familiares;
- sensação de sufocamento durante a noite;
- boca seca ao acordar;
- dor de cabeça pela manhã;
- sonolência excessiva ao longo do dia;
- dificuldade de concentração e queda da produtividade.
Segundo Danilo Sguillar, a doença também aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca, ansiedade, depressão e alterações de memória.
Como saber se o sono está realmente sendo reparador?
Uma boa noite de sono vai além do relógio. Entre os principais sinais de um descanso adequado estão dormir praticamente toda a noite sem despertares frequentes, acordar disposto e manter boa concentração e energia durante o dia.Quando esses critérios não são atendidos, é importante procurar avaliação médica.
O diagnóstico costuma ser feito por meio da polissonografia, exame que registra parâmetros respiratórios, neurológicos e cardiovasculares enquanto a pessoa dorme.O tratamento varia conforme a gravidade do quadro e pode incluir perda de peso, mudanças no estilo de vida, aparelhos intraorais, uso do CPAP — equipamento que mantém as vias aéreas abertas durante o sono — e, em alguns casos, cirurgia.
Fonte: Jornal Correio









