Por que jejum intermitente e dieta low carb podem causar mau hálito? Crédito: Imagem: PBXStudio | Shutterstock
Quem começa uma dieta low carb ou aposta no jejum intermitente costuma esperar mudanças na balança. O que muita gente não imagina é que essas estratégias também podem alterar o cheiro da respiração. Segundo especialistas, o fenômeno é relativamente comum e tem explicação científica.
A combinação entre a redução drástica de carboidratos, os longos períodos sem alimentação e a diminuição da produção de saliva favorece o aparecimento do chamado hálito cetônico, um tipo de mau hálito que não está necessariamente relacionado à falta de higiene bucal.
“O jejum prolongado ou dietas muito restritivas, como as low carb e cetogênicas, reduzem a produção de saliva e levam o organismo a queimar gordura como fonte principal de energia”, explica a otorrinolaringologista e especialista em halitose Lígia Maeda, do Hospital Paulista. “Nesse processo, são produzidos os chamados corpos cetônicos, que liberam um odor característico, conhecido como hálito cetônico”, completa.
O que é o hálito cetônico?
Apesar do nome pouco conhecido, muita gente já sentiu — ou percebeu em alguém — esse tipo de alteração. O odor costuma ser descrito como adocicado, metálico ou semelhante ao de frutas fermentadas. Segundo a especialista, ele surge quando o organismo entra em cetose, estado em que passa a utilizar gordura como principal fonte de energia devido à baixa oferta de carboidratos. “Os corpos cetônicos gerados nesse processo são eliminados, em parte, pelos pulmões. Daí o odor característico na respiração”, explica. Ou seja, o problema não está necessariamente na boca, mas no próprio metabolismo.
Boca seca também favorece o mau hálito
Além da cetose, outro fator contribui para o problema: a diminuição da saliva. Durante o jejum prolongado ou em dietas que exigem pouca mastigação — como algumas baseadas em líquidos ou substitutos de refeição — a boca tende a ficar mais seca. “A saliva tem função antibacteriana e ajuda a limpar a cavidade oral naturalmente. Quando sua produção diminui, aumenta a proliferação de bactérias e de compostos sulfurados voláteis, que são as substâncias responsáveis pelo mau cheiro”, alerta a médica.
É preciso abandonar a dieta?
Segundo Lígia Maeda, não. O hálito alterado não significa que a estratégia alimentar esteja necessariamente errada, principalmente quando é acompanhada por um profissional. Na maioria dos casos, o problema pode ser amenizado com alguns cuidados simples:
- manter uma boa hidratação ao longo do dia;
- escovar os dentes, a língua e usar fio dental regularmente;
- evitar períodos muito longos sem comer, quando possível, ajustando a dieta com orientação do nutricionista;
- utilizar chicletes ou balas sem açúcar com xilitol para estimular a produção de saliva;
- procurar um dentista ou especialista em halitose se o mau hálito persistir.
“A boa notícia é que esse tipo de alteração no hálito costuma ser temporária e melhora com ajustes na alimentação e nos cuidados diários”, tranquiliza a especialista.
Fonte: Jornal Correio









