Aneurisma de personagem da novela é considerado fatal

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Josualdo Euzébio Silva*

O mal-estar sentido pela personagem Bruna, na novela “Quem ama cuida”, chamou atenção para o risco iminente de vida decorrente da gravidade da condição, chamada aneurisma cerebral, uma doença grave, considerada relativamente comum.

O aneurisma é uma condição vascular, causada pela dilatação anormal da artéria. O tipo cerebral é considerado o mais perigoso, responsável pela morte de metade das vítimas, enquanto o restante ainda pode desenvolver diferentes sequelas, comprometendo a qualidade de vida.

As consequências variam conforme o local afetado e se houve, ou não, uma ruptura arterial com hemorragia. Os sintomas mais comuns incluem alterações motoras, cognitivas, visuais, emocionais, psicológicas, crises convulsivas e incontinências.

O risco do aneurisma está em sua origem silenciosa. A situação leva milhares de pessoas a descobrirem o problema próximo do rompimento. Muitas vivem sem conhecimento do aneurisma, exceto, quem mantém um checape anual com um cirurgião vascular. A recomendação é indicada, sobretudo, para pessoas com casos na família. 

Normalmente, quem teve um aneurisma reclama de dores intensas e súbitas e, quem teve no cérebro, cita rigidez no pescoço, alterações visuais, vômito, fraqueza e convulsões. Os sinais não abrem espaço para dúvida, indicando uma necessidade urgente de atendimento especializado. A rápida intervenção pode proporcionar maiores chances de sobrevida e menores riscos para sequela. 

A pressão alta e hábitos inadequados, como o tabagismo e o estresse, são riscos para o surgimento da condição. O último fator de risco é o que levou a personagem da novela a se sentir mal, após suspeitar de uma traição do marido. O sentimento é capaz de aumentar a pressão do vaso, estimulando o rompimento.

O tratamento oscila conforme as características individuais. As ocorrências mais simples requerem apenas acompanhamento profissional, medicamentos e mudança de hábitos. Os casos mais graves requerem cirurgia para controlar o tipo cerebral. O procedimento pode usar a técnica de clipagem microcirúrgica – uma cirurgia aberta – ou a embolização -, considerada altamente tecnológica e minimamente invasiva para isolar a dilatação com um cateter.

Contudo, nem todos os aneurismas são tratados irurgicamente, como o caso de Bruna, considerado inoperável, pois o risco da intervenção supera o do rompimento.

* Médico cirurgião vascular, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular

“Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Hoje em Dia”.

Fonte: Hoje em Dia

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