Imagem: Envato.
A transformação digital deixou de ser uma promessa de futuro para se consolidar como o motor presente da competitividade empresarial. Ao observar o ecossistema de negócios global, percebo um fenômeno fascinante. O Brasil não é apenas um mero espectador ou seguidor tardio das inovações tecnológicas, mas sim um dos grandes protagonistas mundiais na adesão da inteligência artificial. Essa constatação ganha força factual quando analisamos dados recentes que desenham o mapa global do uso dessas ferramentas.
Brasil lidera globalmente a adoção de IA, e as empresas acompanham o ritmo
De acordo com o estudo Como as pessoas vivenciam as novas tecnologias e a IA generativa, conduzido pela Cisco em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil se consolidou como o segundo país do mundo que mais utiliza inteligência artificial generativa no dia a dia. A pesquisa revelou que 51,6% dos brasileiros entrevistados utilizam a tecnologia de forma ativa em suas rotinas, ficando atrás apenas da Índia no ranking global. Essa prontidão cultural e comportamental do brasileiro é acompanhada por dados da pesquisa Nossa Vida com IA, realizada pela Ipsos em parceria com o Google. Ela mostrou que 54% dos brasileiros utilizam IA generativa, índice superior à média mundial de 48%. E expressivos 78% já empregam a tecnologia em suas atividades profissionais.
Como gestor, convivo diariamente com a urgência de líderes empresariais em traduzir essa efervescência em valor estratégico real. A alta receptividade da população brasileira à tecnologia cria um ambiente extremamente fértil para a inovação corporativa. Vemos no setor produtivo um movimento de aceleração sem precedentes, corroborado pelos dados da pesquisa TIC Empresas, do Cetic.br/NIC.br. O estudo aponta que a adoção de IA atingiu 50% das grandes empresas brasileiras. Trata-se de um salto qualitativamente evidente. Saímos da fase da mera curiosidade sobre os modelos de linguagem para a fase da integração profunda aos processos de negócios, suprimentos, logística e tomada de decisão.
Da adoção à liderança: por que a governança de dados é o novo diferencial
O impacto econômico desse movimento é excelente. A incorporação contínua de inteligência artificial tem o potencial de impulsionar a produtividade em setores vitais da nossa economia e gerar ganhos operacionais expressivos. No entanto, o verdadeiro diferencial competitivo não estará na simples contratação de algoritmos de prateleira. Mas na capacidade de as empresas organizarem seus dados e estruturarem governanças sólidas. Eu sempre defendi que a inteligência artificial só entrega seu potencial máximo quando alimentada por dados limpos, integrados e contextualizados ao modelo operacional de cada organização.
O brasileiro é, por natureza, um adepto precoce de tecnologias que simplificam processos e expandem capacidades. Essa característica histórica nos coloca em uma posição privilegiada na corrida global por eficiência. O desafio que se coloca aos executivos e conselhos de administração no país não é mais convencer as equipes a utilizarem ferramentas inteligentes. Afinal, a adesão orgânica já aconteceu. O grande imperativo do momento é liderar essa transição com inteligência estratégica. Isso inclui escalar soluções que automatizam a operacionalidade e liberam o capital humano para aquilo que ele faz de melhor: negociar, criar parcerias, prever riscos e tomar decisões estratégicas fundamentadas.
O Brasil já provou que sabe adotar a IA. Agora, é hora de liderar a criação de valor por meio dela.
Fonte: E-Commerce Brasil









