Embora não seja comum, testosterona baixa em homens jovens e adultos pode ocorrer antes dos 40 anos Crédito: Freepik
A redução da testosterona costuma ser associada ao envelhecimento masculino. Afinal, a partir dos 40 anos, os níveis do hormônio começam a cair gradualmente. Mas o que acontece quando essa queda surge antes da hora?
Embora não seja comum, a testosterona baixa em homens jovens e adultos antes dos 40 anos pode ocorrer e merece investigação médica. O problema pode estar relacionado a condições de saúde, hábitos de vida e até ao uso de anabolizantes para fins estéticos.
Entre os principais sinais de alerta estão queda da libido, piora da qualidade das ereções, cansaço persistente, irritabilidade, alterações de humor, dificuldade de concentração e redução da massa muscular. Em alguns casos, também pode haver aumento da gordura abdominal, diminuição dos pelos corporais e infertilidade.
“O homem jovem não deve encarar uma queda sustentada do desejo sexual ou uma piora progressiva da função erétil como algo normal”, alerta o urologista Gustavo Marquesine Paul, coordenador do Departamento de Andrologia, Reprodução e Sexualidade da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).
A testosterona é produzida principalmente pelos testículos e desempenha papel fundamental na saúde sexual, na composição corporal, na produção de espermatozoides e no bem-estar geral. Quando seus níveis diminuem precocemente, é importante identificar a causa antes de pensar em qualquer tratamento.
O que pode causar testosterona baixa antes dos 40?
As razões vão muito além do envelhecimento. Segundo especialistas, uma das causas mais frequentes atualmente é a obesidade.
“O tecido adiposo aumenta a conversão da testosterona em estradiol [outro hormônio, predominante no organismo feminino], o que interfere no estímulo para a produção adequada do hormônio pelos testículos”, explica a endocrinologista Ana Luiza Rio, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.
O diabetes tipo 2, especialmente quando associado à obesidade, também está ligado a um maior risco de deficiência hormonal.
Além disso, fatores cada vez mais comuns na rotina moderna podem contribuir para a queda dos níveis de testosterona, como:
Estresse crônico;
Sedentarismo;
Distúrbios do sono;
Consumo excessivo de álcool;
Uso de esteroides anabolizantes.
Este último merece atenção especial. De acordo com os médicos, o uso frequente de testosterona e anabolizantes para ganho de massa muscular ou estética pode levar o organismo a reduzir ou interromper sua própria produção hormonal.
“Temos visto casos frequentes de hipogonadismo após abuso e uso crônico de esteroides com finalidade anabolizante”, afirma Ana Luiza Rio.
Como saber se a testosterona está baixa?
O diagnóstico não deve ser feito apenas com base nos sintomas.
A investigação começa com a avaliação médica e a dosagem de testosterona total em exame de sangue, realizado preferencialmente entre 7h e 10h da manhã, período em que os níveis hormonais costumam ser mais altos.
Quando o resultado aponta valores reduzidos, os especialistas recomendam uma segunda coleta após cerca de quatro semanas para confirmar o diagnóstico.
Dependendo do caso, outros exames podem ser solicitados para identificar a origem do problema, incluindo avaliação de hormônios produzidos pela hipófise, exames metabólicos e testes de imagem.
O que fazer se a testosterona estiver baixa?
A resposta depende da causa.
Em muitos homens jovens, a alteração hormonal está relacionada ao estilo de vida e pode ser revertida sem necessidade de reposição hormonal.
“Em muitos jovens, a testosterona baixa é mais um reflexo do estilo de vida do que um problema hormonal definitivo. Isso nos traz a possibilidade real de reversão e até resolução completa do problema”, destaca Gustavo Marquesine Paul.
Perda de peso, prática regular de atividade física — especialmente exercícios de força —, sono adequado, controle do estresse e redução do consumo de álcool estão entre as medidas que podem ajudar a recuperar os níveis hormonais.
Reposição hormonal não é a primeira opção
Apesar da popularização da testosterona nas redes sociais e nas academias, os especialistas alertam que a reposição hormonal não deve ser utilizada sem indicação médica.
O tratamento é reservado para pacientes com sintomas compatíveis e deficiência hormonal comprovada por exames.
O uso inadequado pode provocar infertilidade, atrofia testicular, alterações do colesterol, mudanças de humor e aumento do risco de trombose, infarto, AVC e insuficiência cardíaca.
Por isso, diante de sinais persistentes como queda da libido, fadiga e perda de massa muscular, a recomendação é buscar avaliação médica. Em muitos casos, a testosterona baixa antes dos 40 anos não é um problema definitivo, mas um alerta de que algo na saúde ou nos hábitos de vida precisa ser corrigido.
Fonte: Jornal Correio









