Bets viram armadilha de renda extra e geram onda de dívidas bilionárias todo mês no país

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Brasileiros usam bets para pagar contas e geram onda de endividamento em massa. Crédito: Ilustração| IA| Gemini

A urgência para pagar as contas está empurrando os brasileiros para as bets na ilusória tentativa de gerar renda extra. O fenômeno migrou do lazer para a sobrevivência, fazendo famílias usarem jogos online para cobrir despesas básicas. O resultado é um endividamento em massa e perda de patrimônio, agravando um cenário onde 80,6% da população já possui dívidas.

A ilusão do ganho rápido destrói o orçamento das famílias

O mecanismo que atrai os apostadores baseia-se na falsa promessa de rendimentos imediatos para cobrir faturas de cartão de crédito, contas de luz e até a compra de alimentos.

A facilidade de acesso por aplicativos e os depósitos instantâneos via Pix criam uma perigosa ilusão de controle financeiro. Na prática, a lógica matemática dos jogos de azar impõe perdas sistemáticas, transformando o dinheiro do sustento em prejuízo líquido.

Essa dinâmica desidrata a renda familiar brasileira e cria um ciclo vicioso de dependência psicológica e econômica.

Alerta máximo para uma inadimplência difícil de reverter

O estrago se reflete nos dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), que apontam que o gasto mensal com as bets já supera os R$ 30 bilhões no país, empurrando 268 mil famílias para a inadimplência severa. O economista-chefe da entidade, Fabio Bentes, destaca que esse tipo de dívida é muito difícil de ser solucionada.

Parcela cada vez mais significativa da renda familiar, que deveria quitar dívidas ou manter a família abastecida, está sendo direcionada para as plataformas, e o resultado é uma inadimplência muito mais difícil de ser revertida, pois o recurso frequentemente se perde sem gerar patrimônio ou consumo de bens

Fabio Benteseconomista-chefe da CNC

Dreno bilionário paralisa o varejo e o comércio de bairro

Esse desvio de dinheiro acendeu o sinal vermelho para o varejo nacional, afetando as grandes capitais e as cidades do interior. O capital que antes circulava na economia real, movimentando o comércio de bairro e o setor de serviços, está sendo drenado por plataformas de jogos majoritariamente sediadas em paraísos fiscais.

O impacto reduz drasticamente o poder de compra e desacelera a atividade comercial das famílias de menor renda, que deixam de consumir produtos básicos no dia a dia.

Raio-X do prejuízo nos setores essenciais de consumo

Um levantamento da Fecomércio-SP, feito em parceria com a Secretaria da Fazenda de São Paulo, revela o tamanho do estrago na economia real: os recursos absorvidos pelas apostas online chegam a reter o equivalente a 4% do faturamento total do varejo.

Setorialmente, esse dreno financeiro representa o correspondente a 67% de toda a receita de lojas de materiais de construção, 13,5% do faturamento dos supermercados e impressionantes 44% das vendas de farmácias e perfumarias, evidenciando que a população tem deixado de comprar remédios e alimentos para apostar.

Fonte: Jornal Correio

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