O presidente de Naoero, David Adeang, discursa na cerimônia de abertura do Fórum Boao para a Ásia, em Boao, na província de Hainan, no sul da China, na quinta-feira, 28 de março de 2024. — Foto: AP Photo/Tian Macleod Ji
O país insular de Nauru, no Pacífico, mudou seu nome para República de Naoero, anunciou seu presidente, adotando a grafia e a pronúncia da língua nacional.
O código internacional do país passará de NRU para NRO, e seus habitantes serão chamados de dei-Naoero, em vez de nauruanos. Conhecido no exterior pela pronúncia aproximada de “Now-roo”, o novo nome é pronunciado “Now-ero”.
A mudança devolve à remota nação insular do Pacífico Sul seu nome tradicional, afirmou um comunicado publicado na última quinta-feira na página oficial do governo no Facebook. O país passou a ser conhecido internacionalmente como Nauru apenas porque seu nome na língua local era difícil de pronunciar para estrangeiros, sendo uma questão de conveniência, e não de escolha, segundo um comunicado anterior do governo.
“Essa mudança proposta busca honrar de forma mais fiel a herança, a língua e a identidade de nossa nação”, afirmou o presidente David Adeang ao apresentar a proposta ao Parlamento em janeiro. A emenda constitucional foi aprovada pelos parlamentares nas duas votações exigidas, embora não estivesse imediatamente claro se o texto constitucional já havia sido formalmente alterado.
Com cerca de 12 mil habitantes, Naoero é o terceiro menor país do mundo em população, atrás apenas de Tuvalu e da Cidade do Vaticano. O pequeno atol de coral e calcário foi colonizado pela Alemanha e posteriormente administrado pela Austrália, antes de se tornar uma república independente em 1968.
O país enfrentou períodos turbulentos. A mineração de fosfato gerou enorme riqueza na ilha durante a década de 1970, mas o colapso da indústria levou Nauru à beira da ruína econômica nos anos 1990.
Atualmente, Naoero é um dos países mais vulneráveis do mundo à elevação do nível do mar causada pelas mudanças climáticas. Por isso, o governo busca atrair investimentos estrangeiros por meio de um programa de cidadania mediante pagamento, destinado a financiar a transferência de moradores e da infraestrutura para áreas mais afastadas do avanço do oceano.
A mudança de nome marca “o início de um renovado orgulho nacional”, declarou Adeang em seu anúncio mais recente. Quando seu governo aprovou novamente a medida, em maio, o presidente havia anunciado a realização de um referendo para confirmá-la.
No entanto, o governo informou em comunicado divulgado na semana passada que, após “amplas discussões”, os parlamentares decidiram que uma consulta popular não seria necessária.
“Embora um referendo tenha como objetivo determinar a vontade do povo, o nome Naoero nunca foi perdido; apenas aguardava ser plenamente abraçado”, afirmou o comunicado.
Segundo o governo, essa denominação “já representa a identidade do povo, está presente no brasão nacional, é utilizada pela comunidade e, mais importante, é permitida pela Constituição”.
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A pequena ilha fica na região da Micronésia, no centro do Oceano Pacífico — Foto: Reprodução/Google Maps
Por que o país mudou de nome?
A iniciativa faz de Naoero o mais recente país a sinalizar um afastamento de seu passado colonial por meio da mudança de nome. O pequeno reino africano de Eswatini retomou seu nome histórico, abandonando Suazilândia, em 2018. Outros países também promoveram mudanças como forma de reforçar sua identidade internacional, como fez a Turquia, quando Ancara solicitou às Nações Unidas, em 2022, que o país passasse a ser chamado de Türkiye, nome pelo qual já era conhecido internamente havia muito tempo.
A decisão de Naoero implicará a mudança de nome de suas aeronaves e embarcações nacionais. Segundo o comunicado, o governo já está trabalhando para que outros países e instituições internacionais reconheçam oficialmente a alteração.
O site das Nações Unidas já registra o país pelo novo nome, observando que o governo solicitou a mudança em junho. Os ministérios das Relações Exteriores da Austrália e da Nova Zelândia, bem como as embaixadas dos Estados Unidos e da China na região, também já se referem ao país como Naoero em seus sites oficiais.
Fonte: Portal G1 Mundo









