Crédito: Imagem gerada pela IA
“Não existe uma data em que a saudade simplesmente acaba. Há dias em que conseguimos sorrir ao lembrar de quem partiu e outros em que a ausência parece tão dolorosa quanto no primeiro dia. O luto não segue um calendário, porque o amor que sentimos por alguém não desaparece apenas porque o tempo passou.”
A reflexão, inspirada no pensamento da psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross, ganha um significado especial nesta segunda-feira (2), Dia de Finados. A data é marcada por homenagens, lembranças e pela saudade de pessoas que já morreram, mas continuam ocupando um lugar importante na vida de quem ficou.

Elisabeth Kübler-Ross morreu em 24 de agosto de 2004, aos 78 anos, deixando um legado importante para os estudos sobre o morrer e o acolhimento de pessoas em sofrimento por Reprodução
Uma das experiências mais difíceis do luto é perceber que o tempo passa, mas determinadas ausências permanecem. Os aniversários chegam, as famílias se reúnem, novas histórias acontecem e, em meio a tudo isso, existe alguém que gostaríamos de encontrar novamente.
Às vezes, a saudade aparece em momentos inesperados. Uma música, um cheiro, uma fotografia antiga ou uma conversa são suficientes para despertar lembranças que pareciam adormecidas.
Em outros dias, recordar quem partiu provoca um sorriso. A pessoa se lembra de uma história engraçada, de um conselho ou de um momento feliz. Isso não significa que a perda deixou de doer, mas que diferentes sentimentos podem coexistir na experiência do luto.
Elisabeth Kübler-Ross, psiquiatra suíço-americana, tornou-se conhecida por seus estudos sobre a morte, o morrer e as reações emocionais diante da perda. Sua obra ajudou a ampliar as discussões sobre o sofrimento de pacientes e familiares, além da importância do acolhimento nesses momentos.
A frase apresentada não é uma citação literal da autora, mas uma reflexão contemporânea inspirada em temas abordados em seu trabalho.
Embora Kübler-Ross tenha popularizado a descrição de cinco estágios associados ao processo de enfrentamento da morte e da perda, o luto não acontece obrigatoriamente em etapas organizadas ou em uma sequência igual para todas as pessoas.
Cada indivíduo encontra sua própria maneira de conviver com a ausência. Algumas pessoas precisam falar constantemente sobre quem morreu. Outras preferem guardar as lembranças em silêncio. Há quem encontre conforto em fotografias, objetos, tradições familiares ou pequenos rituais de homenagem.
O que não existe é um prazo universal para deixar de sentir saudade.
Também é importante compreender que continuar vivendo não significa esquecer. Construir novas lembranças, encontrar motivos para sorrir e experimentar momentos felizes não diminui a importância de quem partiu.
Neste Dia de Finados, a reflexão inspirada em Elisabeth Kübler-Ross convida a olhar para o luto com mais sensibilidade, sem cobranças sobre quanto tempo alguém deveria levar para superar uma perda.
Porque algumas pessoas deixam de estar presentes fisicamente, mas continuam fazendo parte de nossa história. E talvez a saudade seja justamente uma das maneiras pelas quais o amor encontra espaço para permanecer, mesmo quando já não existe a possibilidade de um novo abraço.
Fonte: Jornal Correio









