Ondas de calor na menopausa: estudo da Fiocruz aponta possível alternativa sem hormônios

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Ondas de calor na menopausa: estudo da Fiocruz aponta possível alternativa sem hormônios Crédito: Freepik

Uma revisão narrativa desenvolvida por pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) investiga o potencial da oxibutinina, medicamento utilizado no tratamento da bexiga hiperativa, como alternativa não hormonal para aliviar os fogachos, conhecidos como ondas de calor, em mulheres no climatério.

O estudo, intitulado “Oxybutynin as a non-hormonal option for hot flashes in climacteric women with overactive bladder: a narrative review”, foi elaborado pela ginecologista Ana Luiza Varanda, da Área de Atenção Clínico-cirúrgica à Mulher do instituto, em colaboração com o ginecologista Jorge Elias Neto. Neste domingo (18), é comemorado o Dia Mundial da Menopausa para conscientizar sobre a saúde feminina e o climatério.

A pesquisa aborda o uso da medicação, indicada para tratar a bexiga hiperativa, condição caracterizada pela necessidade súbita e urgente de urinar, no alívio dos sintomas vasomotores associados ao climatério. Esse período corresponde à transição entre as fases reprodutiva e não reprodutiva da mulher e é marcado pela redução gradual dos hormônios femininos.

De acordo com a revisão, os sintomas vasomotores, como ondas de calor repentinas e suores noturnos, afetam até 80% das mulheres após a menopausa. Já a bexiga hiperativa atinge entre 11% e 42% das mulheres adultas e se torna mais frequente durante o climatério. Embora a terapia hormonal seja considerada o tratamento mais eficaz para os fogachos, existem situações clínicas em que seu uso é contraindicado, o que amplia a necessidade de alternativas não hormonais.

“A revisão identificou que a oxibutinina também pode contribuir para a redução da frequência e da intensidade dos fogachos. Os resultados analisados apontam melhora significativa dos sintomas em diferentes estudos clínicos, inclusive com desempenho superior ao observado em alguns tratamentos não hormonais utilizados atualmente, embora sem comparação direta entre as terapias”, explica Ana Luiza.

Segundo os pesquisadores, um dos principais diferenciais da oxibutinina é a possibilidade de atuar sobre dois problemas que podem ocorrer simultaneamente no climatério: os sintomas urinários e os fogachos. O medicamento também apresenta baixo custo e não contém hormônios, características que podem ser relevantes para mulheres que não podem recorrer à terapia hormonal.

Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam que ainda são necessários estudos específicos com mulheres no climatério que apresentam bexiga hiperativa e não utilizam terapia hormonal. As evidências disponíveis até o momento, entretanto, indicam que a oxibutinina pode representar uma alternativa para melhorar a qualidade de vida dessas pacientes.

A pesquisa consiste em uma revisão narrativa da literatura, realizada nas bases de dados PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde, com seleção de estudos publicados entre 2007 e 2025, em português e inglês. A busca não identificou estudos brasileiros sobre o tema e reuniu 11 fontes internacionais. Entre elas estão três estudos primários que avaliaram a oxibutinina no tratamento dos fogachos: dois ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo e uma série retrospectiva. O levantamento também incluiu o posicionamento da Sociedade Norte-americana de Menopausa, que recomenda o medicamento com nível de evidência I-II.

Como próximos passos, os pesquisadores preveem a realização de uma revisão sistemática com protocolo registrado e, posteriormente, um estudo prospectivo voltado especificamente para mulheres no climatério que apresentam simultaneamente bexiga hiperativa e sintomas vasomotores. Esse grupo ainda não foi contemplado diretamente pelos ensaios clínicos disponíveis.

Pela relevância do trabalho, a pesquisa foi selecionada para apresentação no 20th World Congress on Menopause – IMS, realizado entre 30 de setembro e 3 de outubro de 2026, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. “A seleção do trabalho representa uma oportunidade de divulgar a produção científica do IFF/Fiocruz internacionalmente e reforça a importância da pesquisa e da medicina baseada em evidências para o cuidado integral da saúde da mulher”, celebra a ginecologista.

Fonte: Jornal Correio

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