População está envelhecendo enquanto o planeta esquenta: o que isso significa para a saúde

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Cuidados com os idosos durante o calor  Crédito: Shutterstock

As mudanças climáticas podem expor pessoas idosas a períodos de calor perigoso mais longos e intensos do que as projeções anteriores indicavam. É o que aponta um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, e publicado nesta terça-feira (18) na revista científica The Lancet Planetary Health. A pesquisa também indica que os efeitos da umidade sobre a saúde de pessoas com mais de 60 anos podem ter sido subestimados.

O trabalho ganha relevância em meio a um verão marcado por temperaturas excepcionalmente elevadas em partes da Europa e da América do Norte. Os pesquisadores analisaram como o avanço do aquecimento global poderá afetar a exposição da população idosa a condições consideradas perigosas até 2100.

O estudo parte de um indicador conhecido como temperatura de bulbo úmido, que considera a combinação entre calor e umidade. Essa medida é importante porque uma mesma temperatura pode representar um risco maior quando o ar está mais úmido, dificultando a evaporação do suor e, consequentemente, a capacidade do corpo de se resfriar.

Risco maior para os idosos

Segundo os pesquisadores, parte dos estudos utilizados anteriormente para estimar os limites de tolerância ao calor foi baseada em experimentos com pessoas jovens e saudáveis. Pesquisas mais recentes envolvendo idosos, porém, indicam que esse grupo pode sofrer consequências graves em condições de calor e umidade inferiores às consideradas perigosas em estimativas anteriores.

Ao incorporar essas novas evidências aos modelos climáticos e às projeções de envelhecimento da população mundial, os autores concluíram que o número de pessoas expostas a condições de calor intoleráveis poderá ser significativamente maior do que o estimado anteriormente.

Em um cenário no qual o aquecimento global fique limitado a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais até 2100, cerca de 22% das pessoas com mais de 60 anos poderão enfrentar, todos os anos, mais de um mês de exposição a calor considerado perigoso, segundo os modelos analisados. Os autores ressaltam, contudo, que os resultados dependem de diferentes escolhas metodológicas.

O risco tende a ser maior em países e regiões onde parte significativa da população não dispõe de recursos para se proteger das altas temperaturas, como sistemas de refrigeração e ambientes adequadamente climatizados.

Os pesquisadores defendem, por isso, medidas de adaptação que ampliem o acesso a formas de proteção contra o calor, além de políticas destinadas à redução das emissões de gases de efeito estufa.

Fonte: Jornal Correio

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