Ozempic, Mounjaro e Sertralina: brasileiros fazem mais de 2 milhões de buscas por remédios sem receita

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Uso indiscriminado das canetas emagrecedoras tem preocupado especialistas Crédito: Reprodução

A automedicação já faz parte da rotina de boa parte dos brasileiros. Segundo o Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), nove em cada dez pessoas no país já recorreram a medicamentos por conta própria em algum momento da vida. Agora, um novo levantamento mostra quais remédios estão no centro dessa busca — e revela o avanço do interesse por medicamentos para emagrecimento, saúde mental e desempenho cognitivo sem prescrição médica.

Dados divulgados pela plataforma de telemedicina Olá Doutor apontam que mais de 2 milhões de pesquisas relacionadas à compra de medicamentos sem receita foram realizadas no Brasil nos últimos 12 meses. O estudo analisou buscas feitas no Google com termos como “sem receita” e suas variações, identificando os medicamentos mais associados à tentativa de aquisição sem prescrição.

Uso indiscriminado das canetas emagrecedoras tem preocupado especialistas por Reprodução

No topo do ranking aparece a sibutramina, medicamento utilizado no tratamento da obesidade, responsável por quase 27% de todo o volume de buscas registradas entre os dez medicamentos analisados. Também figuram entre os mais procurados dois dos remédios mais comentados atualmente quando o assunto é perda de peso: Mounjaro e Ozempic. Somados à sibutramina, os três medicamentos concentraram quase 220 mil pesquisas ao longo do período analisado.

O interesse não se limita a marcas específicas. Termos genéricos relacionados ao emagrecimento também apresentaram forte volume de procura. Expressões como “remédio para emagrecer sem receita” acumularam cerca de 82 mil buscas, enquanto “inibidor de apetite sem receita” registrou aproximadamente 29 mil pesquisas.

O cenário chama atenção porque envolve medicamentos que exigem acompanhamento médico e podem apresentar riscos importantes quando utilizados sem orientação adequada. Segundo dados do Conselho Federal de Farmácia (CFF), cerca de 20 mil pessoas morrem anualmente em decorrência da automedicação.

Para Anderson Zilli, CEO do Olá Doutor, os números refletem uma demanda crescente por soluções rápidas para questões relacionadas à estética, emagrecimento e performance. “Sibutramina, Ozempic e testosterona sintética são substâncias com indicações precisas e efeitos que exigem monitoramento contínuo. O caminho mais seguro é sempre procurar um profissional de saúde, que avaliará a necessidade do tratamento e possíveis efeitos adversos”, afirma.

Saúde mental também impulsiona buscas

Se os medicamentos voltados à perda de peso lideram o ranking, os remédios utilizados em saúde mental aparecem logo atrás. Sertralina, Ritalina e Venvanse — indicados para condições como ansiedade, depressão e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) — somaram quase 86 mil buscas associadas à tentativa de obtenção sem receita médica nos últimos 12 meses. Juntos, esses medicamentos responderam por cerca de 22,8% de todo o volume analisado pelo levantamento.

Embora não seja possível identificar a intenção exata por trás das pesquisas, Anderson Zilli avalia que parte desse comportamento pode estar relacionada às dificuldades enfrentadas por muitos brasileiros para acessar consultas, diagnósticos e acompanhamento especializado. “A internet tem se consolidado como uma das principais fontes de informação para quem busca compreender sintomas e possibilidades de tratamento, especialmente quando o acesso ao atendimento profissional não acontece de forma imediata”, afirma.

Segundo ele, muitas pessoas que procuram medicamentos controlados sem receita estão tentando encontrar uma solução rápida para problemas de saúde que ainda não foram adequadamente avaliados. “Quem busca por medicamentos controlados sem receita está, muitas vezes, tentando resolver um problema de saúde da forma mais rápida que conhece. O que precisa mudar é a percepção de que se consultar com um médico é algo distante ou burocrático. A telemedicina mudou isso: hoje, o acesso a um profissional real, com capacidade de prescrever e acompanhar, está tão próximo quanto uma busca no Google”, diz.

Como o levantamento foi realizado

Para elaborar o ranking, o Olá Doutor analisou pesquisas realizadas por brasileiros no Google ao longo dos últimos 12 meses. O estudo considerou buscas que continham a expressão “sem receita” e suas variações em todas as regiões do país. A partir desse universo, foram identificados os medicamentos mais frequentemente associados às tentativas de compra sem prescrição médica.

Fonte: Jornal Correio

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