Últimos socorros: o que fazer quando a cura já não é possível?

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Cuidados paliativos não significa acelerar a morte; veja como quebrar esse tabu – Foto: Divulgação

Muitas pessoas ainda associam os cuidados paliativos ao estágio da vida em que resta apenas aguardar a morte. No entanto, esse entendimento é prejudicial aos pacientes e familiares que deixam de receber o suporte necessário para um maior conforto e autonomia desde o diagnóstico de doenças graves.

Assim como é necessário aprender técnicas de primeiros socorros para agir em situações de emergência, também é importante se preparar para oferecer acolhimento e cuidado a alguém no processo final da vida. Essas orientações não deveriam ser aprendidas às pressas, em meio à despedida, porque se conhecidas com antecedência, é possível tornar esse momento mais seguro e digno.Tudo sobre Saúde em primeira mão!Entre no canal do WhatsApp.

“Nem sempre o mais importante será fazer mais procedimentos. Muitas vezes, será aliviar a dor, controlar a falta de ar, acolher a família e garantir que o paciente esteja tranquilo e cercado pelas pessoas que ama. Sempre há algo que pode ser feito. Não é sobre cuidar do fim da vida, é sobre cuidar da pessoa”, diz Yanne Amorim, médica especialista em cuidado paliativo.

Confira cuidados que fazem a diferença

O preparo para cuidar de alguém quando a cura já não é uma opção é chamado de ‘últimos socorros’. Eles não consistem em procedimentos médicos complexos, mas sim em atitudes simples que proporcionam conforto.

A maior dificuldade de muitos familiares é o começo, como passar essa notícia para o paciente? Segundo a dra. Yanne Amorim, a melhor opção é não iniciar a conversa pela morte e sim pela vida.

“Perguntas como ‘o que é importante para você?’, ‘como você gostaria de ser cuidado?’ ou ‘o que lhe traz conforto neste momento?’ ajudam a colocar a pessoa no centro das decisões. Falar sobre esses desejos não tira a esperança, pelo contrário, permite que o cuidado seja mais respeitoso, humano e alinhado aos valores de quem está vivendo aquela experiência.”, afirma a médica.

Depois desta conversa, algumas ações ajudam o paciente e os familiares a passarem por esse momento. Por isso, o portal A TARDE listou 5 atitudes que fazem a diferença:

  • Aliviar o desconforto físico: ajudar o paciente a mudar de posição na cama, manter a higiene, hidratar os lábios e oferecer pequenas quantidades de água ou alimentos, quando houver orientação da equipe de saúde.
  • Respeitar os desejos da pessoa: conversar sobre preferências, ouvir o que o paciente deseja para esse momento e garantir que suas decisões sejam consideradas sempre que possível.
  • Estar presente: muitas vezes, uma conversa tranquila ou até mesmo permanecer em silêncio ao lado oferecem mais conforto do que qualquer palavra.
  • Criar um ambiente acolhedor: manter o quarto organizado, com iluminação agradável, pouco ruído e, se a pessoa desejar, músicas, fotografias ou objetos que tragam tranquilidade.
  • Buscar apoio e compartilhar os cuidados: familiares e cuidadores não precisam enfrentar esse processo sozinhos. Contar com a equipe de cuidados paliativos e suporte psicológico são importantes para dividir as responsabilidades e reduzir a sobrecarga emocional.

Essas ações não substituem o acompanhamento médico, mas quebram preconceitos e são um diferencial na qualidade de vida do paciente.

“Enquanto a morte for um tabu, as famílias vão continuar decidindo no escuro, muitas vezes sem saber o que a pessoa gostaria, ou se sentindo culpadas por escolhas que nem eram delas para fazer. Falar sobre isso com antecedência é um ato de cuidado: dá autonomia para o paciente expressar o que quer e dá segurança para a família”, ressalta Yanne.

Como se preparar?

Para ajudar familiares e cuidadores o hospital Florence, especializado em reabilitação e cuidados paliativos lançou o curso Últimos Socorros em Salvador. Criado na Alemanha em 2008, o curso de último socorros já formou mais de 20 mil pessoas em 20 países e está presente no Brasil desde 2020.

A proposta é orientar qualquer pessoa sobre como agir quando a cura deixa de ser o objetivo do tratamento. Entre os temas abordados estão conversas sobre desejos de fim de vida, formas de aliviar o sofrimento, planejamento de decisões e o processo de despedida.

Realizado em formato de roda de conversa, o curso é aberto ao público, não exige experiência prévia e busca tornar o tema mais acessível, reduzindo medos e dúvidas que costumam surgir nesse período.

“Planejar o cuidado é uma forma de proteger a autonomia e preservar a dignidade até o fim”, complementa dra. Yanne.

As inscrições podem ser feitas pelo site ultimossocorros.com.br, onde também estão disponíveis o calendário das próximas turmas e outras informações sobre a iniciativa.

Fonte: A Tarde

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